Lá se vai o filho de dona Benedita: Joaquim

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por: Alexandre Karamazov

Soubesse dona Benedita que seu filho julgaria a maior quadrilha de bandidos já existente no país, com eles ainda no governo, talvez teria tentado dissuadir o garoto desta profissão. Joaquim é acusado por congressistas petistas, de altíssimo nível, como Vicentinho (PT-SP), de ter agido “com uma postura carregada de ódio, com politização, intolerância. Poderia ter usado o espaço para ajudar a combater a discriminação contra os negros”; e no início, como se dono fosse do cargo, o líder do PT na Câmara, ainda tem a seguinte avaliação: “Sugeri ao Lula que indicasse um negro ou uma negra para o Supremo. Não indiquei o Joaquim”. E aqui, neste espaço humilde, sem patrocínios de estatais ou qualquer cala boca público, eu, brasileiro, gostaria de tentar jogar luz nessas curtas, porém simbólicas, palavras do deputado.
Levando ao pé da letra a sugestão do deputado, Joaquim Barbosa deveria se sentir eternamente grato pelo cargo que lhe foi oferecido, por ser o homem que integraria a cota racial do então presidente Lula, que tentou levar o Ministro para fazer propaganda em países africanos, como Joaquim afirmou há pouco tempo em entrevista ao jornalista Roberto D’Avila, e ao invés de se meter com questões políticas, de interesse do Brasil, como verdadeiro ministro da mais alta corte brasileira, na concepção de Vicentinho, letrado petista, Joaquim deveria ter ignorado solenemente tudo aquilo que julgou de importante nestes 11 anos de atuação no STF.
O nobre parlamentar, assim como nosso Imperador Luis Inácio, deve ter tido crises de gastrite ao ver aquele “negro”, “indicado”, “deles”, julgando a Ação Penal 470, o famoso Mensalão, como todo juiz deveria fazer, sem se atentar aos cargos dos réus, agora já condenados ao Spa da Papuda, de onde sairão em breve.
Vicentinho, Vossa Excelência, com declaração extremamente racista e simplória, mostra de forma transparente o que vocês são incapazes de ver: Ele, Joaquim Barbosa, mineiro, profissional de carreira, julgou e condenou os partícipes do maior crime já praticado contra a democracia recente de nosso país. Ele fez apenas o papel dele, o que é pago para fazer. Porém, a história mostra que, muitas vezes, fazer apenas seu dever é o mais alto compromisso com a coragem, a bravura, a honra e a honestidade. Em tempos de escuridão, como são os nossos desde 2003, o filho de dona Benedita entrou para a história sem dar um tiro contra si mesmo. Quando ele – tendo o PT ainda no Governo Federal, seus comparsas comprados no Congresso, seus jornalistas patrocinados na Imprensa chapa-branca/vermelha, e seus ministros do Supremo com o broche da estrelinha vermelha na lapela -chamou para si, ainda em 2007, a responsabilidade de não compactuar com nenhum crime cometido por uma quadrilha que tentou roubar o Brasil dele próprio, no apagar das luzes de Brasília, com o mafioso Dirceu no vice-comando da operação, ele automaticamente, fazendo seu simples dever de servidor público, entrou para a História não como o “primeiro negro” na presidência, o “primeiro negro” a condenar corruptos de cargos elevados, ele mostrou o que os mais atentos perceberam: Um homem, independentemente da tonalidade de sua pele, não se curvou a interesses sombrios e fez seu trabalho, lavando a alma de incontáveis brasileiros que já não esperavam nada de qualquer poder público. E aqui, Vicentinho, era jogada por terra sua afirmativa de que ele não ajudou a combater a discriminação contra os negros. Quer mais do que isso? Caráter, e não a cor, é o que importa, meu caro.
Vamos a um outro fato mais específico: A estratégia brilhante do ministro, diante dessas já sabidas circunstâncias sombrias e do enorme volume do processo do Mensalão, conseguiu o que ninguém talvez conseguiria. Ao desmembrar o processo em núcleos – publicitário, político e bancário – tornou para os outros ministros a história mais fácil, porque mafiosos não roubam de forma simples, à luz do dia, e tais crimes são muito complexos para pessoas honestas entenderem, e com este mesmo ato tornou possível ao Brasil ver a verdadeira face do Partido dos Trabalhadores e seus súditos na televisão, em tempo real. Lewandowski, ensandecido, atrasando o processo da forma mais maquiavélica já vista naquela Corte, com uma genialidade do Mal de dar inveja aos partidários de Hitler, tamanha cara de pau necessária para tal; Dias Toffoli, reprovado por duas vezes em concursos públicos, ex-advogado de Dirceu, ex-Advogado Geral da União, tudo isso na época dos fatos do Mensalão (e a Procuradoria Geral ainda não teve a sensatez de pedir seu impedimento para atuar na causa); os advogados dos então réus, com seus salários astronômicos pagos com dinheiro público e “privado”, dentre eles o ex-Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos; e com dores terríveis na coluna, aos 49 minutos do segundo tempo do Mensalão, Joaquim Barbosa teve de assistir, jamais calado, a nomeação, por parte da Dilma, de dois fantoches do PT, Teori e Barroso, que lograram êxito na missão de aceitar os embargos infringentes, e desmantelar a tese de formação de quadrilha (!), que já havia sido aceita pelo plenário antigo da Corte, leia-se “antigo” como um ano antes. No entender de tais ministros, Marcos Valério foi o maior gênio do crime da história da humanidade. Ponto final.
Lendo as declarações de felicidade plena dos advogados dos presos do Mensalão, dos petistas ainda soltos no Congresso, das associações de “classe”, e até ao conceder entrevista a um jornalista do “O Globo”, hoje, onde metade da mesma se refere ao futebol, logo após uma resposta do Ministro dizendo sobre a importância demasiada dada ao futebol no país:
 “Acho que é uma simplificação. O Brasil é um país ainda em transformação. Eu não tenho 60 anos e conheci um país extremamente atrasado, rural, retrógrado, que não tem absolutamente nada a ver com o Brasil de hoje. E com certeza meus netos, daqui a 30 anos, vão conhecer um país muito mais moderno, dinâmico, em que o futebol será apenas um esporte a mais, ainda que adorado por todos”


 A certeza de dever cumprido deve ter tomado a cabeça do Joaquim, filho de dona Benedita, brasileiro. 
Seu filho vai fazer falta ao país, mas ele aguentou e sobreviveu por tempo até demais, sem jamais se curvar, não importando o tamanho das dores e das ameaças. A decisão foi correta, no tempo certo e ainda vivo.
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