A vitória do PT foi a derrota do Brasil

0
3533



Hoje, faz uma semana que Dilma Rousseff foi eleita. Mais do que um novo mandato à ela, foram concedidos ao PT mais 4 anos de governo, além dos atuais 12, em que nada fizeram de bom. Já a soma de coisas ruins feitas é extensa e incalculável. O Brasil só conseguirá fazer um balanço mais claro dos estragos daqui a uns longos anos, e isso só será possível com o PT longe do governo, o que, no momento, não é nada garantido, porque eles não largarão o poder de forma fácil. O brasileiro que votou em Dilma permitirá que o PT cumpra 16 anos, no mínimo, de poder. Lula, sem perder tempo, já admite que será candidato em 2018. Vamos às contas básicas: 12 anos que se passaram, mais os 4 de Dilma e possivelmente mais 8 de novo mandato de Luis Inácio, completariam-se, em 2027, 24 anos de poder nas mãos de um só partido, de uma só grei, como diria Joaquim Barbosa. O PT de 2003 a 2027. E até lá, se Lula elegeu um poste, Dilma Rousseff, provavelmente surgirão outros postes, cones e portas para continuarem o projeto de poder petista. O brasileiro que votou 13 nas últimas eleições pensou nisso? Também pensou que Dilma irá definir mais 6 novos ministros do STF, tornando o tribunal em uma instituição falida e amiga dos “marginais do poder”? Pensou que, ao votarem em Dilma, assinavam embaixo de tudo que  PT roubou? E sabemos quem mais sofre com os desvios, com a corrupção, com a falência das instituições, com o cerceamento da imprensa livre, com ineficiência na gestão da máquina pública, com a quebra total da economia: os pobres. Justamente aqueles que, somente em tese, o PT e seus eleitores pleiteiam os direitos de “guarda moral”; mas na prática são seus algozes. Os populistas são um mal a ser combatido diuturnamente, em especial na América Latina, infectada por todos os tipos do gênero. Com variações de nome, credo, imagem, mas iguais. Dilma, Chávez, Maduro, Kirchner, Lula, Fidel, Raúl, Correa, Evo Morales, todos se encontram na represa histórica do populismo barato, do atraso mental, da destruição da liberdade, da falta de zelo com os valores morais, com a honestidade, com a grandeza de seus países, com o abandono completo de seus cidadãos, com o conluio com as verdadeiras elites de respectivos grupos, os políticos aliados, que vivem em intensa bonança financeira, usufruindo de todo conforto que o capitalismo pode prover, sem permitir, em hipótese alguma, que o cidadão miserável algum dia o faça também. E se, por algum milagre, algum cidadão conseguir vencer e sair da miséria, o êxito será dos governantes, que assumirão, com pompas e circunstâncias, a vitória no lugar do indivíduo. É um jogo nefasto de cartas marcadas. Os sistemas coletivistas não compreendem a importância do indivíduo, da liberdade de um ser humano, independentemente de sua cor, credo, região ou condição social. Quando um país defende a verdadeira liberdade do indivíduo, acaba por defender a todos. E tal argumento, básico, é jogado no lixo por toda a América Latina. No Brasil ficou claro, nas últimas eleições, a distinção que já acontece: se o indivíduo é gay, e vota no PSDB, é um traidor do movimento. Se o que o faz é negro, é um traidor do movimento. Se é pobre ou a favor deles, se é do Nordeste, se é de uma região pobre, se pertence a algum tipo de “grupo”, não votar no PT é trair o “movimento”, é trair a si mesmo. E tudo isso não passa de uma grande e pura lavagem cerebral criminosa, mentirosa e covarde. Quando um homem passa a se enxergar como grupo, como manada, rebanho, ele deixa de ter sobre si a grandeza de sua consciência e inteligência. Quando um gay se vê primeiro como membro de um grupo LGBT, e não o seu nome, suas características individuais, sua educação, seus valores, sua ética, sua índole, em primeiro lugar, acreditem, este cidadão e o país estão perdidos. E isso vale a todos os gêneros aos quais a esquerda sempre teimou em rotular. A esquerda precisa rotular. Talvez a esquerda tenha em seu DNA a essência de uma máquina etiquetadora. Assim como o funcionário do mercado que vai colando preços e nomes nos produtos, a esquerda, em nosso caso o PT, anda pelo país etiquetando: negro, branco, pobre, rico, elite, paulista, gay, hétero, fascista, direitista, sindicalizado. E nós caímos! Por quanto tempo o Brasil ainda cairá nessa armadilha? Achamos que tais coletivos, grupos, serviriam para atender interesses em comum, o que é verdade em determinados e raros assuntos, mas não! Os coletivos, principalmente os próximos das esferas governamentais, se curvaram aos interesses de uma coisa que une todas as classes, raças e gêneros: o dinheiro. O vil metal. O capital.
O Brasil, ainda que extremamente dividido (parabéns ao PT pelo êxito na missão), é um país que se vendeu. Que se rendeu. Que caiu. E ao vermos, nos últimos anos, nossos vizinhos caírem para ditaduras bolivarianas, ditaduras tão perfeitas que são chamadas de democracia, nada fizemos e não nos preparamos. Somos, como nação, um conjunto de alienados e egoístas, porque pensamos apenas dentro de nossas quatro paredes: tem TV de LCD? Ok. Tem carro 0Km? Ok. Tem celular moderno? Ok. Tem dinheiro para uma cerveja no final de semana? Ok. Que se exploda o resto, é tudo muito abstrato! Liberdade? Não vende no mercado, não dá para tocá-la…até que você a perde e aí sim você sente até o cheiro dela. Liberdade de imprensa, idem. Respeito aos direitos individuais, também. Não valorizamos nada até perdermos tudo, e esse clichê parece ser o destino do Brasil. Levados por todos aqueles que votaram 13, no continuísmo de tudo que aí está, os brasileiros que ainda prezam tais valores, encontram-se desesperados e com razão. Total razão. Pedem intervenção militar, impeachment, ajuda aos céus, porque o sistema democrático brasileiro é falho, falido e pouquíssimo discutido, a não ser pelos políticos – a verdadeira elite – que determinam seus próprios destinos. Esses brasileiros, que foram às ruas ontem, 1 de Novembro de 2014, gritando contra o PT, contra esse flerte com o bolivarianismo, clamando por respeito às instituições, ao nosso país, estão certos. Cobertos de razão. Ainda que não saibam o dizer com palavras, que não entendam a conjuntura completa histórica do que se passou e se passará, os que continuam a pensar no país, que tentam impedir a marcha petista por sobre o Brasil, são verdadeiros heróis brasileiros. Porque nos próximos anos, de trevas, eles terão sua consciência limpa, enquanto o resto do país ficará como espectador de seu próprio destino. Plateia de seus próprios dramas. Como toda avó, a História teima em nos dizer: “não diga que eu não avisei.”
***

Curta nossa página no Facebook: www.facebook.com/diariodacorteoficial

Leia mais sobre Joaquim Barbosa: http://www.diariodacortebr.com/?p=136
Veja a mais nova postagem do Diário da Corte!