Wagner Moura sobre Bolsonaro: às favas com o mundo real

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“Este vídeo é pra você, que discorda de mim”.
 
Esta é a introdução do último vídeo do ator Wagner Moura, preocupado com os rumos do país e, em resumo, pedindo uma união dos democratas, pois “não é mais direita contra esquerda”, é “a civilização contra a barbárie”. O bom e velho argumento…falso. A usual tutela do povo comum…
 
Vi a peça logo depois de assistir a entrevista de Bolsonaro ao Carlos Nascimento, do SBT, ontem — um excelente jornalista, diga-se. Respostas muito boas, equilibradas, melhor que 99% dos políticos que por aí sempre estiveram, sinalizando reformas liberais na economia, o que já seria um avanço monumental para o Brasil. Depois de Dilma, é como sair do Íbis para o Real Madrid.
 
Bolsonaro não falou que fuzilará a oposição, que prenderá artistas que discordam dele, aliás, aposto que os mesmos ganharão, e muito!, popularidade nesta oposição direta ao próximo presidente. Faz parte do jogo. Desde que pela própria saúde psicológica dos mesmos a realidade não seja esquecida por completo.
 
O alarmismo do ator, que lembra as cenas risíveis que vieram dos EUA quando Trump foi eleito, destoa do mundo real como o pênalti perdido por Roberto Baggio contra nós, em 94. É um mundo paralelo.
 
Talvez, sendo ingênuo, penso que este alarmismo é fruto não só de décadas de pensamento singular no país, com os tais 50 tons de esquerda, mas de vídeos, montagens e textos de convertidos para mais convertidos ainda. A famosa bolha. Na prática, preto no branco, a vítima direta de violência política foi Bolsonaro. Ponto.
 
Por isso, é fundamental, diante deste divórcio sem comunhão de bens com a realidade, que a imprensa saiba filtrar, nos próximos meses (4 anos?), este alarmismo. As consequências de dar voz e reagir a um mundo de fantasia, na prática, no mundo real, podem ser as piores possíveis.

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