Quando o Ministro da Justiça se torna cúmplice…

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A tranquilidade de um homem que sabe que nada vai lhe acontecer.
A tranquilidade de um homem que sabe que nada vai lhe acontecer.
A tranquilidade de um homem que sabe que nada vai lhe acontecer.

Minha mente me leva a uma das sessões do Mensalão, quando, em dado momento, o Ministro Ricardo Lewandowski fez exaltadas defesas da “integridade e nobreza do José Eduardo Cardozo”, quando lembrava que o mesmo havia dado testemunho em favor de algum réu. Aquilo me chamou atenção, porque, mesmo para os padrões de Lewandowski, eu nunca imaginei ver um ministro do Supremo elogiando e colocando um outro ser humano acima de qualquer suspeita. Pois assim aconteceu. O raciocínio de Lewandowski foi ignorado pelos outros ministros, com exceção, claro, de Toffoli. O absurdo já reinava no Brasil, porque um Ministro da Justiça ser testemunha de réus do Mensalão…

Hoje, anos depois, o nome daquele semi deus lewandowskiano reaparece no noticiário com mais destaque. (Com mais destaque ainda do que um Ministro da Justiça, que obtém quase 60 mil assassinatos em sua alçada, já possui na imprensa). Cardozo se encontrou com advogados das empreiteiras da operação Lava Jato, conduzida pela PF e sob o olhar atento do brasileiro mais macho do momento: Sérgio Moro. Sérgio Moro, eu lhes garanto e ele sabe disso, jamais será Ministro da Justiça. Porque em nossa Corte o mal prevalece — não se sabe se até o fim, mas por décadas, ele sai ganhando, sem encontrar a resistência merecida — e como ele é honesto e cumpre com seu papel, ele é odiado pelas patrulhas petistas. Assim como aconteceu com outro personagem: Joaquim Barbosa.

Joaquim, ex-presidente do STF, tem usado seu Twitter para assobiar algumas verdades, simples, é verdade, mas extremamente necessárias. Abro aspas: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça.”, escreveu Barbosa, provocando surtos nos partidários do governo. E não parou por aí: “Se você é advogado num processo criminal e entende que a polícia cometeu excessos/deslizes, você recorre ao juiz. Nunca a políticos!”, continuou Joaquim. Ele tem toda razão. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso e honestidade, sabe da imoralidade colossal de advogados de criminosos se encontrarem com o representante máximo da Justiça brasileira. O Ministro, no país da piada pronta, disse que essas críticas remetem aos “tempos da ditadura”. Petistas e o próprio admitiram os encontros e ainda acham corretíssimo esta posição cumplicidade. Até onde eu sei, se os advogados das empreiteiras tem este direito, todos os advogados do Brasil possuem o mesmo. Correto? Então, amanhã, o advogado de um ladrão da galinhas pode marcar audiência com o Ministro da Justiça. E o advogado de Suzane Von Richthofen idem. Vamos ser justos, vamos distribuir essas audiências particulares, ministro!

Voltando ao raciocínio básico trazido por Joaquim Barbosa, que um advogado, em tese, deveria recorrer ao juiz, o que é a mais pura verdade, temos agora declarações do próprio Sérgio Moro: ““Intolerável, porém, que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas, em total desvirtuamento do devido processo legal e com risco à integridade da Justiça e à aplicação da lei penal”. Imaginem a cabeça do juiz Sérgio Moro ao saber que, após extenuantes investigações, os advogados da quadrilha foram se consultar com o Ministro da Justiça. Tem como medir a desilusão com a Justiça? Com o país? Não há régua para isso, ainda não inventaram.

É difícil e contraditório a população cobrar a demissão do ministro, porque ele foi colocado neste cargo exatamente para isso. Assim como Graça Foster havia sido, como o atual presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, é no momento. Como o tesoureiro do PT, Vaccari, é aplaudido e foi colocado no cargo para fazer o que fez. Tudo é previsível. Nada vindo do PT é surpreendente. A audácia pode até chocar, dependendo do dia e da noticia, mas não se pode afirmar que há uma surpresa. José Eduardo Cardozo deveria ter sido demitido no ato, por telefone, e começado a responder por suas ações na justiça. Talvez, na melhor das hipóteses, o marqueteiro João Santana autorize Dilma a demiti-lo em breve, quando a opinião pública fizer mais pressão.

Dia 15 de Março abre-se uma das últimas janelas morais que o brasileiro honesto, como disse Joaquim Barbosa, possui para quebrar esta situação maldita que o PT nos trouxe.

 

P.S.: tais encontros do nobre ministro só foram divulgados pela imprensa (VEJA e Folha de S. Paulo). A mesma imprensa que o PT vai tentar, novamente, “regulamentar”, após o Carnaval.