O Brasil é um eterno carnaval (Ou: parabéns à ditadura da Guiné Equatorial)

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guinefilho
O filho do ditador da Guiné, curtindo a Sapucaí.

 

O Carnaval é um pequeno exemplo de como funciona o Brasil. No desfile das escolas de samba do Rio, misturam-se milhões de reais, de origem lícita e ilícita. Tem dinheiro da Globo (lícito), dinheiro do contribuinte (via Petrobras – lícito, mas imoral), dinheiro da prefeitura do Rio (lícito, mas imoral), dinheiro do jogo do bicho (ilícito) e, agora, dinheiro de ditadura africana, via Guiné Equatorial, dado à vencedora do Carnaval: Beija Flor de Nilópolis. Por um lado, é bom. Bom, porque desnuda, com o perdão do trocadilho carnavalesco, a nossa situação nacional. Não temos mais identidade, não temos cultura, não temos moral e nem noção do quão absurda é nossa situação. Somos um país entregue a bandoleiros. A única diferença entre o bicheiro e a gangue petista, é que, no bicho, vale o que está escrito, pelo menos.

No Rio, além da suruba com dinheiro do contribuinte, temos os blocos de rua que rasgam a Constituição, impedindo uma cidade inteira de ir e vir. Passou mal? Sentimos muito. Seu filho precisa ir ao Hospital? Azar o dele.

Há um tango argentino chamado “Cambalache”, e aqui reproduzo a versão nacional da letra, de Raul Seixas:

“Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século xx é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados
Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua
Ambição
Dá no mesmo que seja padre, carvoeiro, rei de paus
Cara dura ou senador” — confira a íntegra aqui: http://letras.mus.br/raul-seixas/221824/

Assim como no tango, vivemos o mais puro cambalacho. Com a vitória da Beija Flor, que recebeu R$10 milhões de uma ditadura africana, com milhares de pessoas saindo às ruas para se esquecer da realidade — quantas destas sairão no dia 15 de Março? –, com o nosso Ministro da Justiça em perfeita afinação com os advogados de criminosos empreiteiros (ele se encontra com advogados de míseros bandidos?), com tudo isso, o Brasil permanece em primeiro lugar no quesito alegoria. Os jurados gritam: Dez! Nota dez! Os petistas também gritam, os militantes entoam e os corruptos sambam na nossa cara.

Ano que vem tem mais!