Não é só pelos R$88 bilhões (Ou: o povo precisa ir para rua, já!)

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Em 2013, o tiro da esquerda saiu pela culatra. O Movimento Passe Livre (MPL) se organizava para fazer oposição ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e, a ala ainda mais radical, ao prefeito Haddad (PT). Era, na visão do grupo, uma luta contra o aumento de passagens, no valor de 20 centavos. De fato, neste cenário absurdamente caro brasileiro, o aumento da passagem ultrapassa, inclusive, os reajustes baseados na inflação, portanto, a causa era justa. Mas o movimento queria mais: queria e quer transporte gratuito para todos, descambando para um ideal socialista de outro século, que já se mostrou falido e fadado ao fracasso como doutrina. A população como um todo abraçou a série de protestos, afinal, a causa primária se justificava e era familiar a todos brasileiros que sofriam com horas perdidas no engarrafamento. Esta população misturada que se juntou ao processo não tinha a menor ideia de que o inicio dos protestos haviam sido de ideal esquerdista, com viés oposicionista a esse ou aquele partido; estas pessoas queriam Joaquim Barbosa como presidente, queriam ética na política, punição aos mensaleiros, prisão perpétua para bandidos, redução da maioridade penal e outras incontáveis pautas, além do não aumento da passagem. Esta soma de vontades do povo brasileiro — e aqui não caio no uso da palavra “povo” de forma leviana — representava uma força que assustou todos os políticos brasileiros, quase assustando Renan Calheiros, o único homem público do Brasil que não teme nada, tamanho seu poder com a base e a oposição. A esquerda tomou essa união da população como uma “infiltração de direita”, uma paranoia típica de pessoas que vivem em outra época do mundo. De qualquer forma, em 2013 ficou provada, novamente, a frase de Ulysses Guimarães: “a única coisa que mete medo em político é o povo nas ruas”.

Desta forma, assim como ergueram cartazes dizendo que “não é só pelos 20 centavos”, eu preciso levantar o meu: não é “só” pelos 88 bilhões de reais roubados da Petrobras. É pela tentativa de calar a imprensa, seja com regulamentação da mídia ou cortando verbas para a VEJA ou Globo; é pelos presos do Mensalão serem turistas; é pelo Zé Dirceu estar novamente envolvido em corrupções milionárias; é pelo filho do Lula; é pelos fundos de pensão; pelo BB, Caixa e BNDES; pelos empréstimos secretos à Cuba e outros países vizinhos; é pela cumplicidade criminosa com o regime da Venezuela; é, também, pela distância colossal entre o Brasil da propaganda política e o Brasil real, onde redução da maioridade penal nem sequer é pensada no Congresso; e outros infindáveis temas. O lado bom e honesto do Brasil não pode conviver com o PT, nem com urnas eletrônicas e nem com Toffoli na apuração, é contra a natureza do ser humano dividir o ônus desta quadrilha com os que gostam dela, ou o que a fraude nas urnas decide. Seja por um voto ou 1 milhão, não importa, porque a apuração secreta foi ilegal.

O Brasil precisa esperar o Carnaval passar para começar sua rotina, é a triste realidade de um país que, por 7 dias, faz de tudo para esquecer o que acontece no resto do ano. Feito isso, o único brasileiro que possuiria força para tirar a oposição das ruas chama-se Aécio Neves, que pode, ou não, ser acompanhado por outros oposicionistas do PSDB e de fora dele, anônimos e famosos. Com milhares de brasileiros nas ruas, a queda da quadrilha seria questão de tempo, porque esse movimento popular levaria pânico ao Planalto, desencadearia uma loucura nas redações de jornais, que teriam de noticiar as manifestações com destaque, porque ali estaria Aécio e o povo descontente, mais denúncias apareceriam, porque veriam que a “casa está para cair”, e o MPF e PF se sentiriam mais ainda estimulados para investigarem tudo. Seria uma bola de neve no melhor dos sentidos, e quando Dilma recorresse às Forças Armadas, ouviria um sonoro não. Por tudo que ela, há muito tempo, plantou.

A oposição não pode ter medo de ser chamada de golpista, Aécio idem, porque os xingamentos e os rótulos já o são dados e feitos todos os dias, independentemente de manifestações. Aécio precisa se espelhar nos oposicionistas venezuelanos, que ofereceram seus nomes, reputações e vidas pela pátria, porque sabem, e a História não mente, que a oportunidade é um cavalo sem rabo. Se a oposição não se mexer, nas ruas, tudo continuará e piorará, assim como foi na Venezuela e na Argentina. Dilma aparelhará ainda mais o STF, suposto lugar de definição de seu igualmente suposto impeachment. O TCU e a CGU são advogados do PT. A maioria do Congresso está vendida, ou seja, é uma ditadura do Executivo, a tal quadrilha petista, mandando nos rumos de uma nação anestesiada. O único, ao meu ver, que poderia injetar adrenalina e salvar o paciente povo brasileiro seria Aécio Neves. Enquanto isso, tudo é válido. Pequenas manifestações, mobilizações e atos individuais, mas somente uma avalanche organizada pode, eventualmente, tirar o PT de Brasília e os levar à cadeia.