E se o piloto queimado vivo fosse brasileiro?

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Lt. Muath al-Kaseasbeh, Sajida al-Rishawi
O piloto jordaniano e a terrorista.

 

A Jordânia enforcou Sajida al-Rishawi, uma terrorista iraquiana presa em 2005, quando seu colete com bombas falhou em Amã, e Ziyad Karboli, da al-Qaeda. Ambos foram mortos horas depois de o vídeo com o piloto jordaniano Muath al-Kasaesbeh, sendo queimado vivo, ter sido divulgado pelo Estado Islâmico. Fiquei me perguntando como seria no Brasil. Vamos supor que um piloto da FAB caísse em território hostil e fosse queimado vivo, com produção cinematográfica, por um grupo terrorista. Imediatamente, a sociedade brasileira iria exigir o troco na mesma moeda, provavelmente. Eu consigo visualizar nesta cena hipotética os esquerdistas de ocasião, Jean Willys, Marcelo Freixo, Chico Alencar, Jandira Feghalli, Maria do Rosário e grupos de direitos humanos fazendo um escândalo em Brasília, postergando o cumprimento da eventual pena capital, chamando a imprensa, que por sua vez também noticiaria a violação dos direitos da terrorista iraquiana, uma mulher, uma pobre mulher, com uma idade já avançada, que não poderia fazer mal a ninguém, vítima, ela sim!, dos americanos imperialistas sedentos por petróleo, uma esposa progressista, adepta da luta das minorias, uma revolucionária; posso imaginar até uma notinha no Ancelmo Gois com declarações de Chico Buarque “a favor da vida”. de Caetano Veloso “contra o ódio”, de Gregório Duvivier “pedindo harmonia”, do Zé de Abreu “fazendo um vídeo no youtube denunciando que a CIA está por trás disso”, do deputado Vicentinho culpando a “extrema-direita brasileira” por querer matar a pobre mulher, o PSOL citando Bertolt Brecht e a presidente Dilma defendendo, novamente, o diálogo. Assim seria no Brasil. O piloto morto e a terrorista viva, transformada em vítima.

É até bom para o Brasil que os terroristas nos ignorem, por uma mistura de desconfiança, repulsa por nossa cultura e sabedoria de que aqui nada funciona: da pólvora de uma bomba até uma sentença de morte.