A covardia do PSDB diante do impeachment de Dilma

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Apenas bons amigos?
Apenas bons amigos?
Apenas bons amigos?

Em 2005, no auge do Mensalão, FHC recomendou que o PSDB não batesse mais forte em Lula, solicitando seu impeachment, para “ganhar nas urnas” em 2006, com José Serra. Como todos sabem, a estratégia, além de falha, foi inconstitucional, num país onde não seguir a Constituição parece ser o primeiro artigo da mesma. O presidente Lula pediu desculpas, disse que fora traído, para, depois, voltar atrás e culpar a imprensa golpista e a elite brasileira por ter inventado o Mensalão, no que seria, se verdade fosse, o maior roteiro fictício da História brasileira.

Agora, 10 anos depois, o PSDB presta um desserviço à sociedade brasileira que conclama, se desespera e implora pelo impeachment de Dilma Rousseff, a “Breve”, como apelidou Marco Antonio Villa, historiador. Fernando Henrique e Aloyisio Nunes, ambos do PSDB, disseram que “o impeachment não adiantaria”, porque “o que viria depois” seria pior. O partido de oposição, novamente, aposta na tese de enfraquecer ou fazer ‘sangrar’ o governo, para, em teoria, ganhar em 2018. Ou isso é uma estratégia errada; ingenuidade ou má-fé, o que não parece ser o caso específico. Acreditar que o PT destruiu todas as instituições democráticas, corrompeu todas as estatais, aparelhou todos cargos públicos brasileiros, mas não acreditar na fraude das urnas é extremamente contraditório. Em 2018, 2022, 2026 se o PT continuar nesta vida mansa, continuará ganhando tudo, porque há fraude nas urnas. Não estamos numa democracia, principalmente porque a apuração é secreta, sob o olhar vigilante do cúmplice Toffoli.

Em meio ao caos, surge uma verdadeira voz de oposição: Ronaldo Caiado, senador do DEM, publicou nota, ontem (9), repudiando educadamente a visão do PSDB sobre o assunto. Prova que é um bom leitor da conjuntura política nacional e que é opositor de verdade, se fortalecendo, ele sim, para futura eleição presidencial. Enquanto na Venezuela a oposição é presa, espancada e perseguida, por defender a democracia, aqui o PSDB dança conforme a música do inimigo, convidando os brasileiros para uma valsa cadavérica, perigosa e falha. Já é péssimo para o Brasil não possuir partidos de direita, imagine ter partidos de esquerda que só falam a mesma língua, inclusive quando a sociedade como um todo está gritando: basta! Chega! O PSDB perde, novamente, uma chance histórica de entrar para os livros de História combatendo o pior inimigo de nossa democracia e, não custa lembrar, tem, enquanto oposição, o dever moral e dívida com o país porque falhou em 2005, e, não fosse por isso, o PT já estaria enterrado. O PT de hoje só existe graças ao PSDB ingênuo de uma década atrás.

Ainda dá tempo de mudar, tucanos. Jamais cometerei a falsa acusação de afirmar que PT e PSDB são iguais, mas começo a entender os que consideram.