Como virei um capitalista

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Nunca esquecerei de quando, com 16 anos, perguntei ao meu pai porque o mundo não era socialista. Ele ficou visivelmente surpreso com a pergunta, mas explicou que as coisas não eram ‘simples assim’ — foi até muito educado. Sempre fui ávido por leitura e, naquela idade, tinha a certeza absoluta de que o socialismo era a cura para todos os males da civilização, muito por conta dos diversos livros que lia, todos quase unânimes em culpar o capital por tudo.

Quando adolescente, me sentia atraído pelo discurso humanista, igualitário, justo e muito compreensível da esquerda. As reivindicações eram, como hoje, supostamente donas da virtude. Na época achava que ‘direita’ era um xingamento, era sinônimo de um general enforcando um preso político. Tinha horror ao ‘imperialismo norte americano’, achava que os mais ricos eram culpados pela pobreza, me sentia culpado por ter, ainda que nunca em abundância, um certo luxo que o mendigo da esquina não tinha.

Era a lavagem cerebral difundida em doses homeopáticas pelo Estado brasileiro funcionando perfeitamente com a minha geração (nasci em 1987); a esquerda nacional precisava se vingar dos militares, ainda que isto custasse uma ou mais gerações de estudantes completamente idiotizados. Ainda que toda a história ensinada nos colégios não passasse de um remendo de um pouco de verdade com toneladas de mentira e partidarismo.

Me lembro de algumas vezes ir para o Centro do Rio de Janeiro, palco de incontáveis protestos, e fazer coro com psolistas e toda sorte de, agora consigo ver claramente, adolescentes manipuláveis e birrentos, contra assuntos de interesse da esquerda, mas que, para uma pessoa não muito politizada, eram de interesse da ‘sociedade’. É exatamente o que o Movimento Passe Livre (MPL) e partidos de esquerda fazem hoje em São Paulo com os jovens, majoritariamente da elite branca de São Paulo (sem ironia). Graças às redes sociais, como já disse em outros textos, a hegemonia da esquerda foi para o buraco, pelo menos entre os mais esclarecidos e sem o cérebro devendo obediência à qualquer ideologia, o que diminuiu muito a força destes ‘protestos’.

E nos últimos anos, muito graças aos absurdos do Partido dos Trabalhadores, partido que sempre lutei contra, mesmo em tempos de imbecilidade generalizada, fui buscar outras fontes da história brasileira e livros que criticavam o socialismo. Eu estava, como nos programas evangélicos da madrugada, curado. Finalmente descobri que era um liberal. O que foi ótimo, porque não li sobre o liberalismo e impus à minha mente a obrigação de me tornar um. E com a descoberta do liberalismo aprendi a admirar o capitalismo. E há uma distorção na nomenclatura que é cruel, já que o capitalismo é o único sistema humanista vigente, e seu antagonista, o comunismo, é o sistema mais desumano já criado neste planeta; e é um pecado que muitos liberais e conservadores não consigam dizer isso de forma simples. O capitalismo é o único aliado dos mais pobres, a única esperança para a individualidade do ser humano. É nesta força do sonho individual que reside, paradoxalmente, a força da humanidade como um todo.

Enquanto o brasileiro comum não abraçar o capitalismo, o Brasil permanecerá sendo, para sempre, um país atrasado, medíocre e preso a uma insignificância global que não condiz com suas riquezas. E dentre os maiores crimes do PT, o maior, na minha opinião, é este crime ideológico que é tentar nos levar à Rússia de 1917, com o Estado regulando, cobrando, rotulando e se metendo em tudo que o cidadão faz. O PT e a esquerda brasileira são uma âncora que nos segura ao passado, e o futuro não vai nos esperar…