Como seria o futuro do Brasil militante?

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Como seria o futuro do Brasil militante?

Vamos fingir, por um breve momento, que as forças da minoria escandalosa vençam a maioria marginalizada que quer mudanças no país, e que os próximos tempos sejam feitos conforme a vontade deles, os meninos birrentos.

O militante brasileiro tem alguns sonhos ‘democráticos’:

– fechar a Rede Globo e ocupar seus prédios com “movimentos sociais” e fazer uma tv ‘pública’ com ‘conteúdo de interesse nacional’ (não contem ao militante que a tv Brasil já existe e a audiência é nula)

– incendiar a sede da editora Abril, dona da VEJA, e fazer uma queima de revistas em praça pública com transmissão por todas as ‘mídias independentes’ e ‘descoladas’ da esquerda, com muita verba pública, porque o dinheiro do povo merece voltar para o povo. A queima pública ‘on streaming’ também incendiaria os livros da editora Record, também golpista e reacionária em seus títulos.

– Estabelecer um órgão de controle para a imprensa, afinal “liberdade de expressão” é uma coisa, “perseguição aos pobres que chegaram ao poder” é outra.

– A taxação das grandes fortunas. Um grupo de movimentos sociais fará a definição do que é ou não fortuna. Estarão a salvo desta taxação os membros do governo federal e aliados, porque eles lutam pelo povo, claro.

– Será vedado o comércio com os países assumidamente capitalistas, para ajudar a fomentar o “Mercosul”, cuja existência é abalada pelos EUA, que tem como maior preocupação em sua história prejudicar esta união de economias gigantes.

– Apesar de vedado o comércio, os itens de luxo — Iphones, Ipads, iMacs, etc. — serão permitidos aos líderes e aliados do governo, com o simples objetivo de estudar o inimigo, evidentemente.

– A emissão de passaportes para os EUA será controlada, com o turista tendo de explicar a razão pela qual está interessado em visitar os imperialistas que tanto mal causaram à América Latina.

– Será criada uma lei proibindo quaisquer tipo de piadas com “minorias”, governantes e, claro, militantes.

– Aliás, os únicos que poderão fazer piadas serão os artistas que receberem a bolsa Duvivier (criada no heroico ano de 2016), e estiverem em dia com os questionários elaborados por movimentos sociais.

– As Forças Armadas serão recicladas e serão obrigadas, no curso de reciclagem, a ler toda a obra de Karl Marx, que os próprios militantes nunca leram, e a jurar fidelidade ao general José Dirceu.

– As polícias serão, aos poucos, usadas apenas para “controle da burguesia”.

– Por fim, a cereja do bolo: a criação dos gulagues (com sotaque brasileiro e escrita no idioma de Camões) na Amazônia, para toda burguesia golpista e opositora do “golpe de 31 de Março de 2016”, quando setores do empresariado e a Rede Globo, junto com a CIA, tentaram derrubar o governo que mais bem fez aos pobres do Brasil. Pena mínima de prisão: 15 anos.

– No 10º aniversário da revolução, em 2026, a cidade de Brasília mudará de nome para Lulândia, e uma estátua do líder será esculpida em bronze boliviano por artistas plásticos cubanos (do programa Mais Artistas Plásticos, criado em 2023).

– A palavra ‘Moro’, traumática para o líder Lula, foi abolida do vocabulário brasileiro em 2017, e quando um verdadeiro militante quer dizer que mora em tal lugar, diz: “eu resido”, e nunca mais “moro em tal lugar”. O juiz de mesmo nome foi preso por subversão e enviado ao gulague João Paulo Cunha, fronteira com a Venezuela, em 2016.

– Em 2033, será comemorado o 30º aniversário da chegada dos trabalhadores ao poder, e 17 anos da revolução que varreu a burguesia para a Amazônia, sob o comando do general Stédile, homem honrado que lutou pelos mais honestos interesses da nação, ao lado do coronel Genoíno e capitão Vaccari Neto.

– Em 2036, 20º aniversário da Revolução Lewandowskiana, como foi batizada oficialmente, os dizeres da bandeira serão trocados de “Ordem e progresso” para “Menos ódio, mais amor”, e o vermelho com a estrela ocupará as cores burguesas que predominavam na versão anterior.

– Em 2040, o militante, que tinha 16 anos em 2016, comemorará seu aniversário de 40 anos com duas rações de mandioca, o dobro do normal, dadas pelo benevolente governo do proletariado brasileiro. E ele terá a certeza de que lutou pelas causas e pelas pessoas certas no histórico ano de 2016.

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#MenosÓdioMaisGulags

 

>>>texto originalmente publicado em: 03/04/2016, na pág do FB.