A imprensa, sozinha, é bem capaz de reeleger Bolsonaro

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Acho um barato observar (antes, era algo que me irritava, mas a maturidade traz humor nestes pequenos detalhes) a imprensa cometendo exatamente os mesmos erros de 2018.

Bolsonaro foi eleito por ela, Olavo de Carvalho e pela ojeriza do cidadão normal aos 13 anos da gangue do PT. O que levou trocentos pseudo-conservadores ou pseudo-“de direita” ao Parlamento, mas isso são outros 500.

E ela, a imprensa, faz um belíssimo trabalho para Bolsonaro.
Acho, inclusive, que ele deveria pagar salários aos colunistas da Globo News. Não há, nem no melhor dos sonhos, um time de propagandistas tão eficiente como este.

Na 2a feira, salvo engano, mas pode ser um erro de minha insônia, ou um delírio de um botafoguense que, agora, ostenta a singela e humilde qualidade de chamar US$30 mi de trocado, graças ao meu xará americano. Mas estou fugindo do assunto.

Volto: na 2a, Andréia Sadi, escreveu uma coluna usando o bom e velho “aliados (ou seja, ela) de Lula veem que fala sobre aborto foi ruim por motivos A, B e C”; e o que se seguiu não era uma coluna.

Era, literalmente, um manual, um passo a passo, para ajudar Lula.
De graça.

Eu me espanto com a tentativa, em vão, de passar qualquer sopro de imparcialidade. Olha, não há problema em assumir uma posição. Vivemos nesta época onde há posicionamento sobre uma onça comendo outro bicho, como se o fizesse por motivos maquiavélicos e políticos. Será a onça fascista de extrema-direita, em breve.

A imprensa, a cada semana, podem tomar nota, se “surpreenderá” com a subida de Bolsonaro. Entre os mais pobres. Na “Faria Lima”. Nas classes X, Y e Z. Eles estão sempre se surpreendendo, como no mito da caverna, só que, no caso aqui, da vida real, o sujeito faz questão de permanecer na caverna, e ainda xingando seus pares de fora de ignorantes.

Bolsonaro não precisa fazer campanha.
Basta, o que é difícil, ficar quieto.
E os bolsonaristas podem me odiar e xingar, mas é preciso comemorar a cegueira e a estupidez de uma verdadeira imprensa investigativa, que inexiste, que criticasse o que é necessário ser criticado sobre o nosso Chefe de Estado atual.

Também houve a panelinha da ABL (Academia Brasileira de Letras), onde Andréia estava com seu marido, na posse de Gilberto Gil (Machado de Assis se revira no túmulo); é o resumo do Brasil deste povo: umas 50 almas que, na década de 90 e 2000, eram donos (não exagero no termo) da “opinião pública” de milhões de brasileiros. Essa panela, que chega a receber mais de R$10.000 por mês na ABL, e cujo amigo jornalista enalteceu, numa matéria, a economia do costureiro que, muito modesto, quebrou a tradição e não usou ouro no bordado. Obrigado, caro costureiro. Quanta sensibilidade.

Achei uma besteira. São tempos de ostentação. De fazer a farda da ABL em nióbio, em diamante. De dar 10k de salário ao Mano Brown, próximo indicado, na minha opinião, à ABL.

É preciso comemorar, meus caros.
Comemorar a paixão por Lula. Indisfarçável.
Lula, agora, encontra-se em péssimos lençois.

Como Bolsonaro, Lula é encurralado, diariamente, por diferentes nichos. Um dia, é preciso defender o aborto, como se fosse uma ida ao dentista; no outro, promete ministério para um índio (como se todos os índios do mundo fossem algo único); em suas fotos recentes com aliados, héteros, brancos, promete à militância que foi um erro. O Photoshop embranqueceu e “heteronormatizou” a todos. Processará a Adobe, se eleito for. E criará a Bradobe, estatal para retoques oficiais de fotos com brancos héteros.

O Brasil é uma imensa, gigantesca, cidade de interior.
Os que pertencem à panela aplaudem uns aos outros, e a frase mais ouvida é (podem reparar, não é implicância): “Concordo, você tem razão”, nos jornais da tv, em supostos “debates”.

Estava certa uma amiga minha, que há muitos anos me recomendara ver “The Kardashians”, nas horas vagas, para me distrair. Era sua tática. Adotei a técnica. E não há coisa melhor.
Há mais verdade, mais honestidade, menos fingimento, num reality show americano, com as mais fúteis questões no mundo, do que na política brasileira. Em especial, nos comentaristas de política.