A entrevista de Bolsonaro na Record: flexibilidade à vista.

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Terminei de ver a entrevista de Bolsonaro para a Record, concedida ontem.
 
Um ponto crucial para aqueles — e os entendo e respeito — que acham que Bolsonaro será um autoritário orgulhoso, se revela falso, ao que tudo indica, na entrevista, e foi algo mencionado por mim num texto há semanas: ao contrário, Bolsonaro é flexível. De tão pressionado, poderia escolher a rigidez do orgulho próprio e a legião de apoiadores, mas…não. Felizmente, não.
 
Prova disso, como disse no texto de outrora, é a escolha de Guedes e Mourão. São personalidades fortes e mais inteligentes do que o próprio. Um bom líder escolhe pessoas melhores para seu círculo de administração. É preciso flexibilidade e humildade para tal.
 
Na entrevista, Bolsonaro aborda clara e diretamente, em franco ato de defesa, a parte de racismo, homofobia e machismo. Ele busca se explicar, busca se redimir, busca dar explicações. Enquanto isso, na mesma hora de ontem, na Globo, Fernando Haddad, quando questionado por Marina se não faria qualquer pedido de desculpas ao Brasil pelo que o PT fez, não cedia. Não flexibilizava. E jamais cederá.
 
A História nos ensina que os radicais ideológicos, como estes do PT e PSOL, quando mantém suas posições por toda a vida, tal qual um José Dirceu, são como montanhas: imóveis. Sólidas. Quando um Boulos mostra sua real faceta tirânica, aí sim eu temo. Temo pois imagino o que um sujeito como ele faria no poder. Ou uma moça linda e com belo sorriso como a Manuela também faria. As aparências enganam e as feições por trás destas máscaras de bonzinhos são aterradoras. E inflexíveis.
 
Bolsonaro pode, deve e será pressionado. Em diversos momentos, terá de ceder e pedir desculpas. Já se mostrou capaz disso. Antes mesmo de sentar na cadeira.
 
O meu medo real é do lado de lá: que não só não se desculpa por nada, como bate no peito e diz que fará pior, como é a esquerda brasileira e seu ódio ao progresso e a liberdade.
 
A entrevista trouxe alívio neste sentido, pois a partir do dia 1 de Janeiro de 2019, Bolsonaro terá de governar para conservadores e o mais fanático socialista. E não dá para fazê-lo sem flexibilidade.
 
Começo a sentir o otimismo de imaginar um Paulo Guedes com o poder da caneta ao lado de um presidente da República flexível. Espero que Bolsonaro e cia. façam o primeiro mandato sabotador da História, destruindo por dentro o poder da União e esfarelando dinheiro e democracia para onde os cidadãos de fato vivem: nas cidades.
 
Somente com isso, e sei que me repito, que atende pelo nome aparentemente sem graça de Federalismo, que o brasileiro real poderá ter alguma chance de futuro.