Se você tem gratidão a algum político, você é um idiota.

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Imagine que você chegue no McDonald’s e peça um lanche. O caixa entende, lhe cobra, você paga e ele lhe entrega o produto. Subitamente, movido pelos instintos mais incontroláveis possíveis, você começa a aplaudir o McDonald’s, lhe agradecendo por ter entregue aquilo pelo qual você pagou e, pior: começa a cobrar que todos os outros que ali estão se sintam em dívida com este ser benevolente: o Ronald McDonald. Argumentos de que a empresa fez apenas o óbvio soam como traição ao regime.

Comparando à realidade brasileira, é exatamente o que muitos eleitores e simpatizantes de muitos políticos fazem, são gratos aos políticos por eles…fazerem seu trabalho — e muito mal, diga-se: graças ao Lula, meu filho está no Prouni; graças ao governo do PT, os pobres começaram a andar de avião; graças à Dilma, tive acesso ao Bolsa Família; graças a este ou aquele político, minha vida melhorou. E se acham endividados com estes políticos.

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Faz ProUni? Deverá sua alma ao PT.

Alguns se esquecem que os políticos estão em seus cargos, com todos benefícios do planeta, incluindo o famigerado foro privilegiado, porque querem e, supostamente, para prestarem um serviço à população: gerir nosso dinheiro. E na esmagadora maioria das vezes, do vereador ao presidente, tal gestão não só é mal feita, como nos roubam muito.

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Lidiane Leite da Silva – a ‘prefeita ostentação’. Acusada de fazer parte de um grupo que teria desviado R$15 milhões da educação.

O exemplo do PT é emblemático, mas isso acontece em todas as esferas de Estado: o prefeito do interior que rouba, mas ‘faz’, é clássico. Com o PT no governo federal, o Mensalão acontecia, e o governo criava mais ”benefícios” para a população se sentir grata. Já na fase do Petrolão, idem. Lembram-se dos debates e de Dilma jogando na cara do pagador de impostos que ela, a santa, nos dava e daria ainda mais ‘vantagens’ se a mantivéssemos no poder? E os rivais, idem. Como se todos nós, completos idiotas, devêssemos nos ajoelhar em praça pública para agradecer a estes santos por fazerem seu trabalho. Por usarem pessimamente o nosso dinheiro.

Quem é empregado, recebe para fazer seu trabalho. Quando você contrata um serviço, você espera que este seja bem feito e entregue. Ponto. Por que, então, há esta sensação de dívida com os políticos? Com a queda de Dilma, este sentimento fica exposto como se houvesse um holofote no puxa-saquismo do mais baixo nível mental: é um tal de ‘se não fosse o PT eu estaria pior; os jovens beneficiados pelo Prouni tem de ser gratos ao PT por toda vida; os aposentados que tiveram aumento devem sair em procissão pedindo a volta de Dilma; e os servidores públicos precisam demonstrar obediência ao protótipo de Stálin de São Bernardo do Campo. Foi assim, também, com as fiscais do Sarney, com os fãs incondicionais de Eduardo Cunha, os que elegeram Collor senador mesmo após sua renúncia e diversos exemplos de pedantismo infantil como cidadãos.

Agora, com Temer no poder, há o terrorismo psicológico dos textões de esquerdistas que terminam com anúncios do apocalipse: “temo pelos trabalhadores”; “temo pelo futuro do programa social A,B e C”; quando, na verdade, o que temem mesmo é não jurar lealdade a seus bandidos de estimação. Antes, no governo do PT, não ‘temiam’ nada, mesmo com milhões de desempregados. Curioso, não?

O Brasil só poderá começar a melhorar, se pararem de bajular políticos que, mesmo roubando muito, dão umas migalhas enquanto o fazem. Governos bons são aqueles que atrapalham menos o cidadão, e por isso são tão raros em todo mundo e em toda História. Lembre-se: o dinheiro é seu. Não deles.

É bom que fique claro: graças ao governo, não. Apesar do governo, sim.

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Fiscais do Sarney. Gratidão na ponta do lápis.