Rio de Janeiro: o outro lado de uma história do front da guerra

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Há aproximadamente uma semana, no Rio de Janeiro, onde somente este ano foram mortos 70 policiais, na movimentada rua Edgar Werneck, que corta a Cidade de Deus, dominada por traficantes, dois policiais paravam para comer um lanche. Não havia conflito e tampouco incursão dentro da comunidade.

Neste momento, se depararam com 2 indivíduos suspeitos numa moto, sem capacetes que, quando os viram, o piloto abriu fogo; o garupa escondeu um objeto no lixo que, no calor dos acontecimentos, não foi visto pelos PM’s — suspeita-se que fosse uma arma ou rádio, e o piloto da moto correu para uma das entradas da Cidade de Deus, onde outros bandidos começaram a atirar na direção dos policiais para dar cobertura.

Os PM’s revidaram. Em meio ao caos, civis inocentes, como sempre, estavam à mercê da própria sorte. Um mototaxista foi atingido — até o momento, não se sabe por quem, e teve morte cerebral decretada. Até o momento, não consegui obter informações apuradas sobre seu estado de saúde.

No dia seguinte, o RJTV 2ª ed. (gosto do trabalho dos noticiários locais, por isso alerto) noticiou o fato dando o nome e sobrenome do cabo, Amaral, envolvido no confronto, um dos policiais que revidou o ataque, como se ele fosse o real e já conhecido autor do disparo que atingiu o inocente, não mencionando o fato importantíssimo de que a viatura policial foi atingida por tiros, sendo, inclusive, periciada.

Na mesma edição, o jornal ignorou fatos que podem ser observados no vídeo da própria reportagem:
– o carona da moto joga fora o que parece ser um rádio-comunicador usado por traficantes ou até mesmo uma arma.
– o piloto da moto usava, aparentemente, uma Glock com carregador estendido.

Em poucos minutos, a reputação do cabo foi por água abaixo. De pai de família, defensor da sociedade e valente soldado que luta no front da guerra do Rio de Janeiro, virou, para muitos, “matador de trabalhador”.

Na delegacia, o garupa da moto confessou que o piloto estava armado e era “do movimento” (esta informação é exclusiva aqui da página)

É fundamental, imperativo, que numa guerra assimétrica, como a que vivemos, ouça-se sempre, e com calma, frieza, todos os lados.

Este é um pequeno exemplo da guerra de informações travada no Rio. Infelizmente, quase sempre com viés pró-bandidos. Ainda que se descubra que o tiro que alvejou o mototaxista tenha sido do policial, a culpa, não só legal mas moral do fato, é dos bandidos — isso é tão óbvio que nem deveria ser dito.

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***Abaixo, segue o vídeo de poucos minutos após o acontecido, onde podemos ouvir diversas rajadas disparadas por traficantes. Isto na segunda maior capital do país, onde o absurdo já se transformou em rotina.

 

LINK DA REPORTAGEM ORIGINAL DO RJ TV 2ª Edição: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/video-mostra-momento-em-que-mototaxista-e-baleado-na-cidade-de-deus.ghtml