Quem checa os checadores?

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Imagine que, todo dia, depois da conclusão do texto do Jornal Nacional, um censor fosse à redação para dizer o que é fato ou fake news. E esta equipe de censores, por melhor intencionada que fosse, e geralmente quem se coloca à disposição para censurar o próximo não deve ser lá um sujeito muito “do bem”, tivesse lá suas ideologias e crenças pessoais — como todos têm.
 
Esta equipe de censores poderia achar que não houve impeachment, que houve golpe. Poderia afirmar que a Palestina tem o direito de destruir Israel. Que a Coréia do Norte só fez testes nucleares para se defender do Imperalismo. Que o Sérgio Moro vai aos EUA habitualmente para ser pago e briefado pela CIA. Que Deus comprovadamente não existe. E eu conheço uma centena de pessoas que pensam isso acima. Direito delas. Há uns anos, eu era totalmente de esquerda. Foi a liberdade que me trouxe aqui, não o extremo oposto. Mas…continuando…
 
Seria um absurdo imaginar censores dentro de uma redação, correto? Absurdo porque tudo, por melhor intencionado que soe no papel, encontra a realidade prática. Na teoria, o socialismo é igualitário e justo; na prática, matou um bocado. Na teoria, a checagem de fatos é justa, bem-vinda e natural. Na prática, é censura.
 
Quando se dá margem oficializada e carimbada pelo próprio Facebook para que agências de fact-checking digam o que é falso ou verdadeiro, num surrealismo digno do “1984”, todos os sinais apontam para uma afronta à liberdade.
 
No passado recente brasileiro, as redes sociais, sem controle, no melhor dos sentidos, permitiram que diversos formadores de opinião furassem a mídia tradicional. Este furo, no caso brasileiro, levou milhões de brasileiros aos — segundo a versão dos meus fatos — maiores protestos de rua do mundo, contra o governo Dilma. A ação prática desta ausência de censura viabilizou que parte da população de um país se comunicasse, encontrasse pontos em comum, ignorasse ou concordasse com esta ou aquela notícia das mídias tradicionais e fizesse a diferença. Imaginem todo o período mencionado com agências de viés simpático ao PT reduzindo o alcance orgânico dos viabilizadores do impeachment. Ou golpe, como queira acreditar.
 
Esta mesmíssima possibilidade está aberta, inclusive, à esquerda. Se quiserem usar as redes para pressionar e ir às ruas contra o Temer ou um hipotético presidente de direita, são livres para tal.
 
Aí você pode, com razão, me indagar se sou favorável a notícias falsas. E é evidente que não. Como não sou favorável ao Big Brother, mas não defendo que haja um censor oficial com carimbo nas mãos impedindo este programa de ir ao ar. Cabe ao telespectador desligar a tv ou pegar o telefone pra votar num idiota qualquer que está lá deprimido porque a piscina está fria.
 
O indivíduo deve ter a responsabilidade sobre a checagem das notícias, com mecanismos que o ajudem a isso, inclusive, sem que estes jamais tenham poder oficial junto ao Facebook para reduzir o alcance orgânico de páginas só por serem de “direita”. Se o cara quiser entrar e confiar na Agência Lupa para dizer se a notícia é, na visão deles, verdadeira, ótimo. Mas não venha me dizer que todos precisam se ajoelhar diante deles.
 
Na teoria, sempre linda, dizem que as agências usam este ou aquele manual internacional, como se isso conferisse algum crédito às mesmas, quando não muda a prática brasileira: entrem em qualquer faculdade de jornalismo, e será mais fácil achar um estudante que consiga fazer contas avançadas de física do que um liberal ou conservador. Também citam exemplos de notícias claramente falsas que viralizaram. Ora, a forma de evitar isso não é justamente o famoso clichê de “investir na educação?”, para que daqui a 30 anos alguém não compartilhe que 2+2=19? Aí começa-se a discutir que memes são fascistas (!), que grupos de família são responsáveis por X% de fake news. O surrealismo não tem fim.
 
Vivemos nesta época fantástica da internet, que tem lados ruins, como tudo sob o Sol, grande Eclesiastes!, como as verdadeiras notícias falsas, mas isso não se compara ao lado benéfico das redes sociais. Tudo, a meu ver, fica ainda mais absurdo quando feito a poucos meses de uma eleição presidencial, cujo primeiro colocado nas pesquisas, que não esteja encarcerado, é de direita.
 
Acreditar que tais agências serão imparciais é como me pedir pra dizer qual o melhor time do mundo. E é óbvio que é o Botafogo. Está checado por mim.
 
#InternetLivre #QuemChecaOsChecadores