Quando o óbvio passa a ser extraordinário

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Curioso notar a celebração de petistas eleitores de Haddad, após 13 anos de cleptocracia assumida, aplaudida e relativizada, com o caso Queiroz, nas redes.
 
Não percebem que o fato de haver eleitores que cobram seus representantes é o mínimo para uma democracia. Estranho seria o oposto. Estranhíssimo é gostar de ser roubado, votar em ladrões confessos e dirigentes partidários, como prova a abertura de dados do BNDES hoje, traidores do Brasil.
 
O volume pornográfico dos valores emprestados, ou dados, com taxas de juros que nenhum cidadão brasileiro mantenedor deste banco tem acesso, deveria causar uma sensação de repulsa em qualquer brasileiro. Deveria reiterar o óbvio: é preciso, para ontem, menos presença do Estado no jogo. No entanto, não.
 
Votaram no holofote de presídio que traria tudo de volta, inclusive sigilos sobre os dados do BNDES, com a consciência mais leve do mundo. Viraram, do dia para noite, quase-santos que a tudo fiscalizam. Anteontem, achavam que moral era algo de burgueses, hoje são seus guardiões. Os apoiadores de trabalho escravo cubano, vejam, são o Norte moral. A quem pensam que enganam?
 
A maior prova do comportamento bovino de um petista junto a seus líderes, é rir, tripudiar e ironizar um eleitor que corretamente cobra explicações de um homem público, funcionário do Estado, portanto empregado do povo brasileiro.
 
Por 13 anos, este país ficou de cabeça para baixo. Até a matemática deixou de ser lógica. Estes dados do BNDES provam isto. Provam o quão organizada é esta quadrilha que nos assaltou enquanto falava de “menos ódio, mais amor”. Não é de se estranhar, portanto, que, tentando voltar ao normal, tudo que é óbvio pareça extraordinário e atípico no Brasil.