A prisão de mais um oposicionista na Venezuela e o silêncio da esquerda no Brasil.

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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, através do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), prendeu o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. A acusação, saída de um filme D dos anos 50, foi: “conspiração com a CIA para derrubar o governo”; a esposa de Ledezma afirmou que o marido apanhou da polícia ao ser preso. Ele é mais um oposicionista encarcerado por tentar lutar contra o autoritarismo do homem que vê Hugo Chávez morto: Maduro. O aprendiz de ditador. O espadachim do bolivarianismo. Lá fora, como aqui, a palavra “golpe” está, convenientemente, na moda (do governo).

O Diário da Corte, sempre atento, se dirigiu às páginas no Facebook do PT, PSOL, PSTU, Palácio da Planalto, Dilma Rousseff, Lula, Lindberg Farias, Luciana Genro, Jean Willys e Marcelo Freixo à procura de alguma linha de indignação sobre a prisão, ou mesmo um comentário sobre a mesma. Nada, absolutamente nada. Na página do PT havia até uma música de Bezerra da Silva (é sério), mas nada além disso. Na página da Carta Capital, panfleto pago do PT, com nosso dinheiro, também nenhuma linha. O lado mais maquiavélico, mail vil e mais asqueroso da esquerda brasileira, além do roubo de nosso dinheiro, é a conivência covarde e criminosa com ações como essa. E não bastando o fato de se calarem, eu aposto que vão dar repercussão ao argumento oficial de conluio dos opositores com a CIA, num momento onde os Estados Unidos tem 500 assuntos internos e externos mais importantes. A esquerda brasileira parte do pressuposto que um opositor venezuelano não pode lutar pela democracia, não pode se juntar a outros opositores e produzir um documento com propostas de transição segura à sociedade — suposto motivo da prisão –, num momento onde a economia Venezuelana está destroçada pelo “socialismo do século XXI”. A esquerda brasileira pode não admitir, mas, como todo aspirante a Lênin, pensam que a vida dos que discordam deles tem menos valor. O governo possui tropas leais (leai$) que não querem saber quem estão prendendo, matando, sequestrando. Se el jefe mandou, que se cumpra. Isso, em pleno 2015. O muro de Berlim, é bom lembrar a eles, caiu em 1989.

Enquanto isso, no Brasil, fale em bolivarianismo e será taxado de paranoico, louco e exagerado. E aqui em nosso país, os moldes do mesmo projeto de poder está em curso há anos. O golpe de misericórdia será a nova tentativa de censura à imprensa brasileira, via Ricardo Berzoini, ministro das Comunicações. E a imprensa brasileira, sempre cortês e infestada de esquerdistas radicais, fala muito manso com o PT e sobre estes casos absurdos na Venezuela.

A coragem da oposição venezuelana (num país onde não há partidos de direita, igual aqui) deveria trazer inspiração aos oposicionistas brasileiros, imersos num mar de tranquilidade e comodismo. É muito bonito mostrar indignação no Facebook, como Aécio e Caiado o fazem, mas eu quero saber quando os dois vão para as ruas. Dia 15 de Março se aproxima, e enquanto o tempo passa, a quadrilha petista continua firme e forte; com reuniões do Ministro da Justiça e advogados de criminosos, com futuras nomeações ao STF, e com dinheiro da corrupção pagando a todos interesses da base governista. Parece, e espero estar errado, que o povo honesto do Brasil está entregue à própria sorte, ao menos no mundo real, longe da internet.