Porque a onda liberal e conservadora assusta tanto a esquerda brasileira

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Volto neste texto ao meu tema favorito: explicar aos desavisados sobre a verdadeira face da esquerda brasileira, que é justamente o oposto do que ela mesmo afirma ser.

Imagine que você não possui nenhum talento. E imagine que, hoje, você tem alguma estabilidade financeira na vida graças ao aparelhamento petista nas instituições. E imagine que, subitamente, esta ilha de tranquilidade financeira e ideológica esteja sendo atacada diuturnamente. É assim que se sente a mídia, os políticos, as ‘celebridades’, os ‘intelectuais’ e os defensores da esquerda como um todo. Neste medo de ter de vencer na vida por mérito, e não graças ao dinheiro do Estado, juntam-se figuras como Tico Santa Cruz e Jandira Feghali. Carta Capital e Leonardo Sakamoto. Chico Buarque e Sibá Machado. Basta ver o desespero de todos com o impeachment de Dilma.

E para elucidar o meu ponto sobre o susto que a onda liberal conservadora dá na esquerda brasileira, peço ao leitor que abra alguma mídia social de qualquer grande veículo de comunicação brasileiro e note o abismo entre o direcionamento dado a um tema/notícia e a resposta dos leitores abaixo. Pegue como exemplo o tema do desarmamento, que chega de tempos em tempos com alguma discussão dos democratas americanos sobre o controle maior das armas. Os jornais, com redatores 99% esquerdistas, tentam induzir os leitores a embarcar na agenda da esquerda, e falham. Muito. Vários leitores acabam por elucidar mais, com um comentário simples e bem escrito, do que a matéria toda, que transborda ideologia e falta com a verdade. Isso assusta a imprensa, que finge não entender que seus leitores são liberais conservadores, em sua maioria. E isso assusta, evidentemente, 99% dos jornalistas que, conscientes de suas próprias limitações, veem nos comentários uma resposta de parte da sociedade que antes era apenas espectadora e, agora, toma o lugar de destaque no palco. O mesmo acontece nas páginas de todos partidos políticos e políticos individuais de esquerda. Mérito das redes sociais.

A esquerda brasileira estava acostumada com o monopólio da virtude, generosidade, humanismo e, de uma forma geral, de toda a verdade, com V maiúsculo, por muitas décadas; seja na imprensa, nas universidades, nos colégios, no botequim da esquina e nas organizações civis como um todo. Ser de direita era uma verdadeira ofensa. Porém,  subitamente, e devemos agradecer ao PT por isso, a grande mídia e os militantes profissionais — quando digo militante profissional me refiro a um analfabeto da CUT até o letrado ministro Ricardo Lewandowski do STF — se flagraram sendo atacados por pessoas normais com argumentações liberais conservadoras. No susto, começaram a gritar: ‘tucano!’, ‘fascista’, ‘nazista’, ‘órfão da ditadura’, dentre outros. Era e é muito engraçado.

Eles, relaxados por estarem há muito tempo no poder e com a ‘boquinha’ garantida, não conseguiram e nem conseguem entender o que aconteceu. De onde surgiu essa multidão de opositores? Como eles tem a audácia de tentar acabar com os pagamentos milionários à CUT, ao MST, à UNE; com as propinas aos deputados da ‘base’; com o assistencialismo que só deixa a população ainda mais pobre e dependente; como esses liberais conservadores chegaram até aqui, na minha faculdade, e estão me desmascarando em frente a todos? Como esses liberais conservadores chegaram até aqui, no STF, e estão gritando que eu estou aqui somente para fazer as vontades do Partido dos Trabalhadores? Como estes liberais conservadores tem a audácia de fazer um balão gigante da minha pessoa? Como estes liberais conservadores não engolem mais as notícias que eu escrevo para este jornal, e, não satisfeitos com isso, ainda me dão aula sobre o assunto nos comentários?

Eles não acreditam que possam existir pobres, cidadãos da classe média, negros e, pasmem, homossexuais no meio desta multidão de liberais e conservadores. A esquerda se acha, sem exagero nesta afirmação, dona dos negros, pobres e homossexuais. Essa esquizofrenia, na prática, fez, para citar um exemplo prático, com que o jornalista petista Paulo Henrique Amorim, branco, chamasse o jornalista da Globo, Heraldo Pereira, negro, de ‘negro de alma branca’.

A esquerda brasileira tomou para si a fama de guardiã moral dos pobres e indefesos. Tomou para si a fama de ser boazinha, quando, na verdade, é justamente o oposto. A esquerda destrói vidas, literal e metaforicamente falando; a esquerda menospreza o verdadeiro trabalhador em prol da escória da sociedade, como criminosos de todas as espécies; a esquerda tira do cidadão o direito de se defender; a esquerda destrói a economia, prejudicando justamente quem jura defender: os mais pobres; a esquerda odeia a liberdade. E a esquerda é um camaleão: não foi o comunismo que matou 100 milhões, foi o ‘stalinismo’, o ‘maoísmo’, o ‘castrismo’, etc., insistem em afirmar. Para eles é assim: chamam comunismo de outro nome e está tudo certo. Chamam de socialismo do século XXI que fica bonito. Inventam algo como bolivarianismo. Batizam um partido com as palavras socialismo e liberdade juntas, PSOL. E por aí vai…

E nós, liberais e/ou conservadores, uma vez ‘libertos’, precisamos explicar, sempre, o porque o capitalismo, que aparentemente é um sistema malvado e baseado apenas no dinheiro, ou seja, no papel, é o melhor sistema para o ser humano, enquanto o socialismo, muito lindo na teoria, é o maior inimigo do homem. Somente o capitalismo e suas consequências conseguiram trazer a humanidade, aos trancos e barrancos, até onde estamos hoje. É o capitalismo que, ainda que possua defeitos, faz algum artigo ou situação de luxo material do rico de hoje virar uma situação rotineira do pobre de amanhã. É o objeto/exame médico da elite de hoje que, amanhã, estará disponível às multidões. É a concorrência, e não o marasmo de uma suposta ‘igualdade’, que move a humanidade e faz melhorar a vida de todos. Pegue como exemplo tudo relacionado à internet. Não há nada mais democrático e livre do que a internet e suas ramificações, como as próprias redes sociais. Aonde, dentro de um regime comunista, por ex., surgiria e se perpetuaria algo parecido com o Youtube?

Nós, liberais conservadores brasileiros, temos de desmontar, de preferência com humor, todas as teses da esquerda brasileira, para que, no futuro, ela seja vista pelo que realmente é, e não pelo que afirma ser há muito tempo. Somente assim é que, talvez, o pessoal da esquerda brasileira fique restrito, quando muito, a gerenciar alguns prédios no cargo de síndicos. Prédios estes que terão, aposto, problemas com suas contas.