O raio X de um país que insiste em não ser nação

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O Partido dos Trabalhadores chegou ao poder em 2003. A eleição do ex-metalúrgico era o ápice da esquerda no poder. Finalmente a “riqueza seria redistribuída” e os “pobres teriam vez”, afinal, era um sujeito que tinha nascido pobre que mandaria no país por 4 anos.

Dois anos e meio depois do êxtase do ouro de tolo, chegaria o Mensalão: o Banco do Brasil e o Banco Rural eram usados para comprar parlamentares no Congresso. A maioria da imprensa, calou-se. Os blogs chapa-branca funcionavam maravilhosamente bem e as redes sociais não tinham, ainda, o poder que tem hoje. A informação era restrita. Ainda assim, o escândalo foi grande: uma nação permitiu que seus mandatários corrompessem e fossem corrompidos supostamente por um ‘bem maior’, o famoso ‘fins justificando os meios’. Queriam fazer acreditar que o país sempre tinha funcionado assim; que isso — a compra de parlamentares — era absolutamente rotineiro, como jogar bola na rua antigamente; e que a esquerda tinha o direito de ‘jogar o jogo’. Deu certo e Lula foi reeleito em 2006, com a benção do PSDB e sua arrogância de acreditar na tese de deixar o PT sangrar.

Em 2007, o julgamento do Mensalão começaria e só terminaria anos depois, com alguns ex-políticos presos e com um estranho desfecho: a tal quadrilha não tinha líder, ao menos para os ministros do STF.

Em 2014, ano eleitoral, surgiria o Petrolão: a Petrobras era usada para loteamento de cargos e pagamentos das mais variadas modalidades de propinas. Tal prática fora denunciada pelo jornalista Paulo Francis ainda no governo FHC, quando Francis chegou a ser processado pelos diretores da empresa e, diante do estresse gerado pelo fato, faleceu.

Neste meio tempo, ainda no governo Lula e, depois, no início do governo Dilma, com Sérgio Cabral no governo do estado do RJ, o empresário Eike Batista era uma unanimidade no quesito ”empresário modelo”. Ganhava seu dinheiro aos montes, ajudava sua cidade — o Rio de Janeiro –, e mantinha seus investimentos no país, gerando empregos. Havia, no entanto, um detalhe: Eike havia se aproximado demais da verdadeira elite brasileira: os burocratas do Estado. Entregou-se, de corpo e alma, ao que o Brasil tem de pior: o capitalismo de comadres.

É por isso que hoje, neste exato momento, em 30 de janeiro de 2017, Eike está de cabeça raspada sendo transferido do presídio Ary Franco, no mesmo Rio de Janeiro que supostamente ajudava. O juiz Marcelo Bretas, o mesmo que prendeu Sérgio Cabral, expediu mandado de prisão para o empresário na operação Eficiência, que é desdobramento da Lava Jato — a operação que a esquerda brasileira considera fascista e obra de um complô envolvendo a CIA, a Globo e o PSDB. E veremos, muito provavelmente, um esquema que será difícil de ser pronunciado em voz alta: o BNDESzão, este, sim, talvez ainda maior que o próprio Petrolão.

É muito importante lembrarmos de como a esmagadora maioria da imprensa fechou os olhos à roubalheira que existia na dupla PT (governo federal) e PMDB (governo estadual do RJ); e como a população em si não percebia que havia algo de muito podre no rei do Power Point, o Sr. Eike Batista. É igualmente importante lembrarmos a quantidade de pessoas que se afundaram com as ações das empresas do grupo X. E para conhecer melhor este período e o próprio Eike, recomendo o livro “Tudo ou Nada” (Ed. Record), da jornalista Malu Gaspar.

Enquanto o Brasil estimular tão somente o capitalismo de comadres, enquanto o Estado brasileiro estiver presente em uma porcentagem descomunal do PIB brasileiro, enquanto houver estatais que sirvam única e exclusivamente para sugar, roubar e distribuir propinas às custas dos pagadores de impostos, enquanto parte da imprensa e todos de esquerda continuarem a desacreditar a operação Lava Jato, enquanto houver um massacre ao empreendedorismo, enquanto houver um país disposto a se enganar por supostos valores “patrióticos” das estatais, o Brasil jamais será uma nação.