O Brasil do PT: quando acabar o maluco sou eu

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Acabo de voltar de uma viagem a trabalho pelo interior do Rio Grande do Sul, onde conheci um Brasil que trabalha, no campo e na cidade, e colhe o pouco que o Estado brasileiro deixa sobrar no fim do mês. Esbarrei com empreendedores que fazem isso desde crianças, sem saberem a nobreza de seus atos e, evidentemente, se sentem culpados por ganharem algum dinheiro num ‘país pobre’. É sinal de que a teoria marxista impregnou o país, há décadas, com sucesso inédito na história mundial. Ali conheci a história de um homem pobre que ficara milionário ao vender sua criação de porcos. Este mesmo homem toma conta, sozinho, de uma cidade inteira; a história dos plantadores de eucaliptos e até a história de um empresário que movimenta a economia local fazendo festas de música eletrônica em uma cidadezinha que, à primeira vista, não comportaria tal empreendimento. É o capitalismo lutando contra as amarras do socialismo do século XXI.

Este é o Brasil real. O Brasil que acorda cedo e dorme tarde buscando melhorar de vida. Apesar do Estado, e não graças ao Estado.

De volta ao Rio de Janeiro, me deparo com as notícias do circo verde e amarelo acampado em Brasília. Este é o Brasil surreal. Dilma Rousseff, estadista brilhante, depois de muito pensar, chegou à conclusão genial: a salvação da economia é a volta da CPMF. Seu ministro da Fazenda, o botafoguense (que desonra ao meu time) Levy, ao vivo, em rede nacional, afirmou que a “população vai estar preparada para pagar impostos…“. É preciso admitir que ele tem coragem. O ato seria como o Estado Islâmico afirmar que “os cristão estarão preparados para mais decapitações…“.

Enquanto vejo um governo que aí está por 13 anos, sem ter feito absolutamente nada de bom à esta nação, propondo dividir a conta com os pagadores de — 5 meses todo ano — impostos, também vejo um vídeo da Carta Capital com um sorridente petista, Chico Buarque, enaltecendo o MST. O cantor morador do Leblon e de Paris disputava uma partida de futebol com o líder João Pedro Stédile, também morador de uma mansão, e, segundo Lula, o comandante de um ‘exército’. Me perguntei se aquele campo de futebol, com grama verde brilhando, seria palco do próximo acampamento dos ‘sem terra’. Mas lembrei: a pimenta só é boa nos olhos, ou campos, dos outros.

Pelas redes sociais dos esquerdistas, as velhas palavras de sempre: ‘fascistas’, ‘golpistas’, ‘capitalismo’, etc. Sinal de que ainda não leram nem 10 páginas de qualquer livro liberal, facilmente achado em sebos. Sebo, para que eles saibam, é um local onde se vende livros novos e usados. Também nas redes sociais, o Facebook oficial de Dilma apoiava uma pichação em Brasília, onde a pichação ‘Fora Dilma’ virou ‘Bora Dilma’. É ou não é maravilhoso o progressismo brasileiro? Até a presidente da República apoia esta forma de arte tão recriminada que é a pichação.

 

Dilma me lembra o imperador Nero. Enquanto Roma ardia em chamas, ele tocava lira. Dilma anda de bicicleta nos arredores do Palácio do Planalto. A bicicleta é a lira do século XXI. A presidente, nas últimas eleições, prometeu à esquerda o de sempre: benefícios estatais eternos, salários altos, aposentadoria integral, bolsas de A à Z, emprego para toda militância ‘engajada’ e atenção aos temas ‘progressistas’. Não fez nada disso. O que o PT fez foi como se um açougueiro colocasse fotos dos melhores cortes de carne no balcão, sabendo que só tem ossos no depósito. Como na 5ª sinfonia de Beethoven, o destino bateu na porta de Dilma. Era a economia básica lembrando que 2+2 continua sendo 4. Lembrando que 13 anos de gastança, corrupção e aparelhamento impostos pelo PT destruíram o Brasil. E que, agora, não dava mais para culpar o antecessor. Não havia mais FHC para jogar na fogueira. Colocar a culpa na crise internacional inexistente funciona com algumas pessoas, mas não com o mercado. Também bateu à porta de Brasilia o juiz Sérgio Moro, com a Lava Jato. O governo agora está entre a esquerda mimada, que se sente traída, e a direita que, com razão, não aceita nenhum tipo de pacto com o diabo, porque sabe que diaba foi quem criou este inferno.

E assistindo a tudo isto de camarote, está o nosso imperador Luis Inácio Lula da Silva. Mais feliz do que o próprio Aécio Neves, o nunca-antes-na-história-deste-país-um-presidente-foi-tão-lobbysta Lula, espera a derrocada de sua criatura, Dilma, para algum presidente, seja quem for, minimamente responsável assumir, botar as coisas em ordem, desagradando vários setores acostumados com o populismo de sempre, acostumados com o Estado ‘papai’, e ele, o salvador da pátria, se candidatar nas próximas eleições com o velho discurso de ‘pai dos pobres’. O mesmo Lula que, em 2008, disse que o selo da S&P era sinônimo de ‘bom pagador e país sério’, e que, há dias atrás, na ocasião do rebaixamento brasileiro pela mesma agência, disse que ‘não significava nada’.

E sobre este estado atual das coisas, lembro de Raul Seixas: “quando acabar o maluco sou eu…”