Marina: a heroína que o brasileiro precisava. Ou não?

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por: Alexandre Karamazov 

Inicio este texto tomando emprestado uma frase de Danuza Nery, em reportagem da FolhaTudo o que Marina fala, mesmo que não diga religiosamente nada, soa bonito e honesto. Um desafio para PT e PSDB. Desconstruir esse personagem será a obsessão dos adversários.”


Marina se coloca acima do bem e do mal; não é contra nada e ninguém, é a favor de tudo e de todos. O governo do PSDB teve lados bons e ruins. O do PT idem. Mas são “velhos”. A novidade é ela, ela representa a “nova política”, é a personificação das “vozes de Junho de 2013”, Marina carrega sozinha uma bandeira costurada por si mesma. Lutando contra esse país injusto, “polarizado” — como se houvesse o mínimo de politização no brasileiro –, atrasado, sofrido. A candidata se oferece como a heroína, uma mártir ainda viva, para resolver tudo. “Unindo o que há de melhor no PT e no PSDB”; “respeitando as conquistas e avanços do PT e do PSDB”. Isso é o que ela fala, escreve, sussurra e a maioria acredita. O povo brasileiro acredita piamente na Messias. 
Antes da morte de Eduardo Campos, o PSB aparecia com 9% das intenções de voto.
Depois da tragédia, nulos e indecisos subitamente saíram de suas casas e gritaram sem medo: “Eu votarei na Marina!”. Um bilhete premiado da Mega-Sena para quem acertar se, antes, com Eduardo ainda vivo, a maioria destes eleitores votaria no PSB, partido de Marina. 
Dizem que no Brasil há 200 milhões de técnicos de futebol, especialmente de 4 em 4 anos, quando acontecem as Copas do Mundo. De 4 em 4 anos, o maior entendedor de futebol, o cara que lê, estuda, acompanha, gosta, vive e respira futebol, tem de ler, ouvir, conviver e compreender o torcedor de ocasião, aquele que da noite para o dia vira um expert no assunto. Isso, no Brasil, acontece em todos os setores, inclusive na política, o que é grave, porque no futebol o time perde e a vida continua. O brasileiro é o único povo do mundo que é especialista em todas as áreas, inclusive a sua própria — quando o é!

O sujeito apolítico passa 3 anos e meio sem ler política, sem gostar do assunto, sem acompanhar a rotina, sem recorrer à História, sem conjecturar absolutamente nada sobre os escândalos, propostas e, raramente, feitos dos governos. Mas, da noite para o dia, vira um expert em política, História, sociologia, marketing, psicologia e tudo que é necessário para, em sua opinião, ser o dono da Verdade, com V maiúsculo e decidir esbravejar sua opinião sobre quem, de fato, seria o melhor presidente. Ele ironiza comentários que o contrariem, afirma com veemência argumentos que descobriu no Google ontem, não checa fatos, não observa contextos, não estuda como funciona o sistema de governo, esquece-se, por exemplo, que está elegendo um Presidente e não um Rei com totais poderes; que esta pessoa eleita terá de governar, lidar com o Congresso, com as pressões incalculáveis de um país tão plural quanto o nosso; é reunião com o MST na segunda-feira e outra com o setor financeiro na terça. Não é fácil, não é simples, não é romântico, e, por isso, poucos conseguiram fazê-lo.

Portanto, quando Marina diz o que diz, mais escorregadia do que um resquício de sabonete no banho, há um sentimento de intensa frustração nos que acompanham a política em sua rotina. 
A candidata, assim como nosso ex-presidente Lula, de boba não tem nada, tendo aprendido como funciona o jogo com ele próprio, e agora usa as mesmíssimas artimanhas. Marina é o Lula 2.0.
Em breve, nesta Corte chamada Brasil, surgirão “artistas”, “famosos” e anônimos gritando com orgulho, paixão e paz na consciência que são marinistas. Porque ela representa a terceira via, ela é inédita — tão inédita quanto “Lagoa Azul” na Sessão da Tarde — e é hora de “dar uma chance a alguém que não pertence nem ao PT e nem ao PSDB, que já fizeram tão mal a este país”. E assim, com estas palavras em cima do muro, ou da Muralha da China, de tão alto, o brasileiro apolítico determina como será nosso futuro. 
Isso é democracia, a palavra de ouro, com toda razão. Faz parte do jogo o voto dos analfabetos e o voto do maior Historiador de todos os tempos? Faz. Existe sistema melhor? Que eu saiba não. Mas que é desalentador, para quem respira política, esta vibração em torno de Marina, fundadora do PT, cujo marido trabalhava até “ontem” para o PT, que consegue fazer milhões de brasileiros de cegos. E o preço? A última vez em que o Brasil surfou tal onda, com o Lula “paz e amor”, ainda não acabou. São 12 anos de consequências gravíssimas para nós; tão graves que só o tempo irá dizer com propriedade os danos feitos. E aonde estão os defensores apaixonados daquele homem, daquele messias, do pobre, faminto, vindo do Nordeste para governar para o povo? Esconderam-se! 

PT e PSDB não saberão, como sugere a repórter do início do texto, desconstruir Marina Silva. Não é uma profecia, é apenas conhecimento básico sobre o brasileiro comum. E não leiam este comum como um preconceito e nem o remetam a um sujeito pobre do interior. O “brasileiro comum”, apolítico, engloba todas as camadas sociais, cores, credos e partes do Brasil. Este exemplo pode ser encontrado no Leblon e na beira dos rios da Amazônia. no templo de Salomão, em São Paulo, e na sede do Itaú. O brasileiro comum precisa de heróis, ele tem em seu sangue o fetiche de ser salvo pela presidente: Marina Silva virá aqui, na minha cidade, no interior de Minas, me resgatar, em meio ao trânsito, e me levar para um lugar melhor, mais calmo, menos poluído, mais puro. Ela veio de um lugar pobre, ela me entende, portanto hoje de madrugada, aparecerá em minha janela, de capa e sem máscara, para me defender de todos os males que possam surgir. 

O brasileiro comum precisa — esta palavra precisa é sublinhada, negritada e aos berros — de salvadores da pátria. E Marina Silva, por tudo que finge ser, por tudo que é de verdade, por todo o contexto do acidente com Eduardo Campos, é a heroína que o brasileiro comum estava esperando. Para se salvar do PT. Estranhamente o partido que ela ajudou a fundar e foi ministra, mas estou me repetindo e esses “detalhes” não interessam, porque o que importa é a Salvadora da Pátria, com pinta de Gandhi e estratégias de Lula. 

Que venha a Marina em 2015 e que venha o Lula em 2019 para salvar o brasileiro médio, novamente, de tudo que o PT criou, incluindo a Marina. 

P.S.: É evidente que há o respeito por todos que não se encaixam em tais rótulos aqui citados e que, por qualquer motivo de suas consciências, votarão na candidata. É apenas uma tentativa — só o tempo dirá se certa ou errada — de estudar a maior parte dos eleitores de Marina. 





“Better the devil you know than the devil you don’t.”





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