Foco no Fachin (Ou: o Brasil não é dos brasileiros, é do PT)

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Confesso que acreditava em Alvaro Dias, senador do PSDB, e nutria simpatia pelo mesmo, o que pode levar o leitor, com certa dose de razão, a me chamar de ingênuo e burro. Hoje, vi um homem duplo, como na história de Dostoiévski, na cara do senador, sentado na mesa da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, com uma face contorcida por constrangimento, mas com a postura e a fala destemida de um traidor, ao defender o indefensável: Alvaro botou suas mãos no fogo por Fachin, jurista do Paraná indicado por Dilma, com atraso de 9 meses, ao STF, para o lugar de Joaquim Barbosa, o negro que Lula colocou na Corte para levar a um passeio na África, como instrumento de propaganda, ato que Joaquim se recusou de imediato, além de transformar o Mensalão em punição (ainda que branda). Alvaro Dias jogou álcool em sua reputação, colocou fogo em si mesmo e se jogou de encontro a ela. Foi uma destruição de história fulminante, na velocidade da luz. E de quebra ainda colocou seu partido inteiro na reta da metralhadora dos eleitores indignados.

Fachin se intitulou um “progressista”, nome chique e atual para comunista. É um homem de comunicação notável, driblou todas as perguntas com um pé firme em cima do muro, um malabarista dos nossos tempos, um bolivariano bom de equilíbrio, “safo”, na falta de melhor expressão. Após explicar que assinara um documento pró-MST, o mesmo disse que era contra “movimentos que tivessem se tornado criminosos“, sem citar o MST, em resposta ao senador Caiado — um homem no meio de centenas de roedores daquela casa — como forma de se equilibrar em cima do muro, onde se mantém antes de vestir a toga preta do STF, e se juntar aos petistas Lewandowski, Toffoli, Barroso e Teori, os mais assumidamente “progressistas”, leia-se “com rabo preso”, da Corte.

O ex-procurador do Paraná, Fachin, quebrou a Constituição ao advogar enquanto exercia este cargo público. Não bastando ser petista, com voto assumido em Dilma, porque é um “jurista que toma lados”, advogar pela “função social” das propriedades, pelo MST, o agora aprovado pela CCJ do Senado, por 20 votos a 7, quebrou a lei e só isso bastaria, se morássemos numa terra onde o mínimo das leis fosse respeitado. O sujeito vai ser guardião da Constituição e não respeitou a própria, quando requisitado. Precisa de mais argumentos?

Após 3 milhões de brasileiros irem às ruas, nos dias 15/3 e 12/4, Brasília dá o recado: o Brasil não é de vocês, brasileiros, o Brasil é do PT.