Federalismo: a única luz no fim do túnel para o Brasil — que não é um trem na direção contrária.

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Juremir mora em Juiz de Fora, Minas Gerais. É liberal. Acha que o Estado não deve regular a economia, ser dono de empresas de camisinha e petróleo, vê com naturalidade a ideia de liberar a maconha à iniciativa privada. Desta forma, segundo ele, os traficantes perderiam o incentivo imediato. Não liga para o aborto e acha que tal decisão pertence única e exclusivamente às mulheres. É favorável a posse de armas de fogo, desde que com a checagem de antecedentes, testes psicológicos, etc. Para Juremir, as punições atuais do código penal são brandas, e o mesmo gostaria de alterar penas de crimes mais graves.
 
Aloir, seu primo distante, mora em Joinville, SC. É conservador. Também acha que o Estado não deve se meter na economia, aceita a ideia do porte de armas com naturalidade, considera o aborto um assassinato, acha que a liberação de drogas não resolveria o problema e, inclusive, o pioraria. Por ele, crimes como sequestro, estupro e assassinato seriam punidos com prisão perpétua. Em casos específicos, até com a morte.
 
Fabricia, ex-Manoel Gonçalves, ponta direita do Fluminense, atualmente atriz nas horas vagas, é socialista. Tem na arte do protesto, na concretitude do ilusório o talvez definitivo para os problemas que assolam os homens. O que isso quer dizer? Fabricia é pró-aborto, acredita na liberação das drogas, começando com a maconha para um teste, acha que o Estado deve zelar por empresas, nossas vidas e dar um cheque-assistência a ex-jogadores de futebol trans, outro cheque-arte para artistas, e é absolutamente contrária às armas de fogo. A polícia, na opinião de Fabricia, deveria usar NERFS infantis.
 
 
Pergunto: como, num país como o nosso, onde Brasília, cidade onde nasci, tem o cofre do tio Patinhas, recebendo dinheiro de pagadores de impostos de cidadãos de estados e cidades diferentes, onde nós moramos diariamente, e não um local quase abstrato como é nossa capital, é possível que algo dê certo? Não dá. E não dará.
 
Os 3 tipos teóricos acima, todos brasileiros, atualmente estão insatisfeitos. Só com a pulverização do poder, dando o bastão na mão de prefeitos e governadores, com liberdade para os estados terem autonomia como na América, é que há, sendo otimista, esperança para o Brasil.
 
Acreditar que no modelo atual, com um comandante em chefe em Brasília, tentando conciliar o que se passa no interior de Rondônia até o bairro nobre de São Paulo, é de uma ingenuidade atroz.
 
Sem o Federalismo, sendo sincero, não vejo como o Brasil pode dar certo. É impossível. Pode sentar na cadeira do presidente a mais bem intencionada pessoa deste país, por 4 anos, 8 anos, 50 anos, não adianta.
 
O poder precisa estar onde o cidadão pisa. Mora. Onde ele consiga, se necessário for, jogar ovos no carro de seu representante do distrito, eleger seu xerife e, quem sabe, até seu juiz. Onde, se insatisfeito estiver, poderá mudar pra outro estado mais ou menos conservador. Onde, o tempo, senhor da razão, dirá, com dados, que este estado é melhor do que aquele, por ter adotado esta ou aquela medida. A União poderia, em determinados casos, especificar que, por ex., tal crime é federal? Poderia. Poderia, antes de colocar tudo isso em prática, deixar tudo em aberto aos estados menos a questão do aborto? Poderia (posso estar sendo parcial aqui, mas creio que poderia).
 
Num país fragmentado, no bom sentido, um mineiro não precisaria bancar a sobrevivência de botos cor-de-rosa na Amazônia, bem como o amazonense não daria subsídios aos queijos da Serra da Canastra. Ambos não teriam de comprar, indiretamente, fuzis para a PM do Rio de Janeiro. Mensalão e Petrolão, entrariam para livros de história. Casos de corrupção nesta escala jamais aconteceriam, pois teríamos eliminado a escala, e tocado fogo na balança. A eleição local seria muito mais importante que a presidencial. Imaginem que sonho.
 
O Brasil atual é um Titanic batendo em icebergs há anos (com comandantes geralmente cegos, ok) mas ainda que fosse o próprio capitão Ahab, do Moby Dick, não chegaria no seu destino.
 
Diluir o poder, deixar o cidadão que conhece a sua região escolher o que ele quer para si e sua família, fazer dos pés a maior arma de protesto, junto do caminhão de mudança: é nisso que acredito.