Damares Alves e os paladinos da Justiça

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Damraes Alves, indicada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para o ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. Brasilia, 06-12-2018. Foto: Sérgio Lima/Poder360
Pessoal da tolerância, dos direitos das mulheres, debochando, ironizando, comemorando o fato da futura ministra de Bolsonaro, Damares Alves, ter dito que teve uma visão com Jesus Cristo aos 10 anos de idade.
 
Damares cometeu o erro de abrir seu coração e dizer o que considera a sua verdade num país acostumado a endeusar mentirosos e mestre na arte de transformar fábulas em fatos.
 
A futura ministra sofria abusos sexuais, estava para se matar ingerindo veneno, quando teve a visão. E ali, para ela, naquele momento, sua vida foi salva. Este foi o contexto.
 
Logo, o centro de tudo é que uma menina abusada sexualmente deixou de cometer suicídio. Se por visão ou não, no pé de goiaba ou no quarto, pouco importa; para ela, o fato foi marcante e serve como prova de sua fé.
 
Grande parte do pessoal da Zona Sul carioca considera uma afronta imperdoável que exista Brasil ao redor do Baixo Gávea. Quanto mais um Brasil onde acredita-se em Deus. Onde já se viu? Que coisa mais careta. Evoluídos são os que acreditam que Lula é um semi-deus do sertão. Que Maduro é um democrata. E que assédio só vale quando a vítima for da própria tribo. A Socialista Morena afirma textualmente que não se “pode ter pena” de alguém assim.
 
É triste notar o deboche e a ironia com uma mulher que sofreu abusos dos 6 aos 8 anos de idade. Tal atitude só mostra o grau de fanatismo ideológico de monstros que passam o dia-a-dia fantasiados de paladinos da Justiça.
 
Quando o “lacre” vem antes da capacidade de empatia, significa que há algo de muito errado com você.