Bolsonaro: ponte para o presente.

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Acompanhado de agentes da PF e da mulher, Bolsonaro vota no Rio.

A democracia venceu. A maioria silenciosa deu seu recado e Jair Bolsonaro está eleito, após décadas de governos esquerdistas. Um feito histórico. Uma vitória do anti-marketing, da anti-mídia tradicional e anti-especialistas. Uma vitória de um senhor que pautou um país, lá da Virgínia, EUA.

Terminado o pleito, é importante que Bolsonaro assuma o papel de estadista, diante de todos os brasileiros, o quanto antes — como o fez no discurso oficial e no último ao vivo deste domingo, por Facebook, o máximo de vezes possível nos próximos tempos. Que não dê munição a seus opositores, organizados ou não, mais ou menos fanáticos, pouco importa. Ele será presidente de 210 milhões de brasileiros. Do mais aguerrido comunista ao mais pacato conservador. Que rompa o abismo criado pela quadrilha petista do nós contra eles; que reconstrua o que foi destruído.

É fácil falar, claro, e difícil lidar na prática com uma oposição que tem, em seu cerne, organizações como o MST e similares. Estas, até por seu caráter formal, devem ser tratadas de forma diferente. Uma oposição que é mestre na arte da mentira e das falsas narrativas. Que pensa em si e não no país. Vide o discurso de Haddad, ontem. Mas uma vez presidente, deixaria o lado combativo aos demais, evitaria entrar em pequenos conflitos ou dar pitacos sobre todos os assuntos. Isto seria descer ao nível deles.

Falaria, com urgência, aos mais de 13 milhões de desempregados que têm pressa. Aos milhões de recebedores do Bolsa Família que têm medo, pois foram convencidos de que o perderiam se não votassem no 13. Nos incontáveis cidadãos que são anti-PT, mas que ainda acreditam que por serem negros, gays ou mulheres podem ser perseguidos pelo novo governo. A cada oportunidade, sem jamais esquecer da urgência suprema que é a segurança pública, tentaria vencer esta guerra de desinformação para converter não convertidos.

O Brasil precisa de paz. Paz para pegar um transporte público, ir ao trabalho e voltar para casa vivo, e paz no convívio político. Milhões de desiludidos, e há de se entender a desesperança, sequer vão às urnas. Muitos anularam ou votaram em branco. A eles, eu também daria atenção. Se não funcionar, ao menos restará a consciência tranquila de que tentou-se.

Bolsonaro carrega um fardo enorme de demandas de seu eleitorado e da realidade — ambos com pressa: segurança, saúde, educação, reformas como a da previdência, tributária e política, rompimento com a política externa servil aos companheiros revolucionários, maior liberdade para empreender, menos Brasília e mais Brasil, prova diária de não subserviência ao politicamente correto e, claro, ser implacável com a corrupção.

E tudo acima será possível, a meu ver, com muita paciência, diálogo, repetição de informações beirando o insuportável, chamando a opinião pública e a população normal para junto de seu governo. Provando, na prática, diariamente, que Bolsonaro é o contrário do que lhe acusam. Sem este aceno, o Brasil poderá levar anos para fazer o que faria em 6 meses. E isto pode ser feito sem ficar refém de ninguém. Se funcionar, os loucos ficarão falando sozinhos, ignorados pela maioria da população.

Vai dar trabalho. E muito. Mas ninguém disse que seria fácil.