As calles cantam e Haddad se cala: Venezuela

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Fernando Haddad, candidato oficial do PT às eleições presidenciais em 2018, está em Portugal, participando de um ato chamado “Democracia e perda de direitos no Brasil”, para alertar ao mundo sobre os “perigos” de um presidente que, o absurdo!, não é o Lula. Nas últimas horas, foi somente isso que postou em suas redes; nem uma mísera vírgula sobre nosso país vizinho: a Venezuela.

Na época da campanha, o mundo fictício da esquerda alertava para o medo e pânico diante de Bolsonaro, o autoritário e violento; no mundo real, no entanto, Bolsonaro era esfaqueado em praça pública, vítima da violência de um sujeito ex-filiado ao partido do socialismo e liberdade, o PSOL — até hoje, não se sabe quem foi o mandante.

Dono de dezenas de milhões de votos, Haddad não consegue sair das sombras de seu sol, Luis Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba. Como Gleisi Hoffmann, senadora petista, que foi à posse do ditador Maduro na Venezuela, num ato que envergonhou o Brasil diante do mundo, Haddad finge não perceber que a democracia precisa ser defendida no mundo real, no país amigo aqui do lado, e não indo até a Europa para tirar fotos com esta juventude descolada que sofre em euros. Se quisesse, Haddad certamente poderia tentar fazer a diferença, ao menos minimizar a ira de Maduro, diminuir os danos colaterais. Mas é evidente que não.

De ontem para hoje, quando o presidente da Assembléia Venezuelana, Juan Guaidó, se declarou presidente interino do país vizinho, sendo reconhecido por Brasil, EUA, Canadá, Argentina, Chile, Peru e outras nações, a democracia foi novamente atacada, com mortes confirmadas, até o momento, de 16 pessoas. Estas dezesseis se somam às milhares de vítimas dos ditadores Chávez e Maduro. A democracia real é combatida na bala, não em tuítes. A liberdade precisa ser defendida nas calles, muitas vezes com sangre de civis, e não por políticos populistas que estão mais preocupados em lacrar nas redes.Nesta janela histórica de acontecimentos, Fernando Haddad permaneceu em silêncio. Luta por uma causa fantoche, como sua candidatura em 2018: a liberdade no Brasil. Liberdade esta que funciona a pleno vapor, como podemos observar no funcionamento da imprensa em investigações e ataques ao governo atual. Liberdade que corria risco se Lula voltasse ao poder para censurar a imprensa e aparelhar as Forças Armadas. Dois arrependimentos da sigla assumidos em documento oficial do partido.

O desfecho na Venezuela, provavelmente ainda distante, infelizmente, terá cenas de violência, perseguição, autoritarismo, mortes e prisões, na mais recente tentativa de se implementar o socialismo no mundo — socialismo que, quando dá errado, atende por nomes exóticos como castrismo, chavismo ou stalinismo. madurismo não tardará, podem anotar.

E este adjetivo provavelmente virá de páginas da esquerda no Brasil, que também se silenciaram neste recente ataque à democracia por parte de Maduro. Quando não se calam, em cumplicidade velada, partem para a defessa inconteste do ditador. Porque se declarar contra um ditador vivo não é tão simples quanto xingar Hitler ou Mussolini no Twitter.

E se a História fará justiça ao bravo povo nas ruas da Venezuela, também não perdoará o silêncio de Fernando Haddad. Talvez, no futuro, os fatos serão contados assim de forma resumida: “Enquanto os vizinhos lutavam por liberdade, Haddad degustava um pastel de nata em seu quarto de hotel, em Portugal”.