A geração do lacre ataca novamente: a resistência imaginária.

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“Prêmio Shell, no Copacabana Palace, é marcado por diversidade dos vencedores, protestos políticos e a lembrança de Marielle Franco”, é o título de uma matéria lacradora, claro, de um jornalista cujo perfil no Facebook possui fotos em passeatas do “Ele não”, claro (parte 2).
 
Curioso notar a turma do “Petróleo é nosso” recebendo prêmio d’uma empresa “multinacional, imperialista e opressora” como a Shell, bem como o local de resistência: o Copacabana Palace, onde talvez só o Guilherme Boulos possa passar uma noite, dado o preço da diária.
 
No corpo da matéria, trechos de coletivos se dizendo “da resistência”; cobrando a resolução do caso Marielle (justo eles, os que têm ojeriza ao trabalho policial); reclamando que são criticados por conta da Lei Rouanet, coitados.
 
Uma matéria num jornal de grande circulação, como sempre digo por aqui, feita de amigos para amigos. O típico texto que não atinge mil pessoas, mas é comemorado no boteco chique pela bolha que acredita ser, de fato, resistência à ditadura de Bolsonaro — o ditador eleito.
 
Não à toa, a poucos centímetros desta mesma matéria, uma chamada induzindo o leitor a acreditar que Eduardo Bolsonaro menosprezara Marielle Franco numa declaração. Evidentemente deve ter sido tirada de contexto, pensei. Li a matéria. Acertei. Outro jornalista querendo lacrar conseguiu segundos de manchete em cima de um factoide. Os fatos não interessam. O esporte é aparecer para a tribo. Os que assinam a matéria provavelmente não entendem porque a imprensa está em descrédito. Por quê será?
 
Estes membros da geração do lacre resistem com champanhe e caviar no Baixo Gávea, resistem afirmando que policiais matam jovens negros por esporte, resistem com dinheiro público, resistem renegando a arte e endeusando o lacre. Fazem juras de amor ao temporário, ao passageiro e ao pueril, odiando qualquer tentativa de se fazer uma obra que vença o tempo, este ser implacável. Contam, infelizmente, com profissionais da imprensa com o mesmíssimo pensamento, para aplaudirem seus supostos feitos. E exigem que façamos o mesmo.
 
Não, muito obrigado. Aqui é resistência.

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