7 dias depois, mais um brasileiro é assassinado. Novamente no Rio de Janeiro.

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Há uma semana, este mesmo autor que vos fala escrevia um desabafo sobre a morte de Ulisses (leia aqui). No texto, afirmei: “Daqui a 7 dias, este colunista aposta, o nome de Ulisses permanecerá apenas nas estantes das livrarias, em forma de romance de Homero, porque este crime, bárbaro, sairá das manchetes. Não por culpa da imprensa, mas por culpa da banalização do ato. Em 7 dias, outro brasileiro já terá sido executado de forma tão brutal”.

Não sou vidente e tenho vergonha de ter acertado esta “previsão”, mas, hoje, outro Ulisses surge: o médico Jaime Gold, de 55 anos. Ele andava de bicicleta na Lagoa, cartão postal do Rio de Janeiro, quando foi abordado por 3 assaltantes ‘menores’, segundo testemunhas. Sem reagir, foi esfaqueado brutalmente e deixado inconsciente e sangrando, junto à uma árvore, onde outro médico o socorreu e chamou os bombeiros que o levaram ao hospital Miguel Couto, onde morreu hoje. Não fosse este outro médico, Jaime teria morrido sozinho, num local escuro, numa cidade entregue, num país apagado. O Brasil vive um imenso apagão moral e legal, há muitos anos. Aqui, a imprensa dá tremendo destaque aos bobos da corte de sempre: Jean Willys, Jandira Feghali, Maria do Rosário, Marcelo Freixo e cia., e se esquece de filosofar o básico, a essência: enquanto estamos vivos — ainda — discutindo coisas óbvias como maioridade penal, desarmamento, impunidade e corrupção sistêmica, as vítimas vão ficando pra trás. Na favela e na Lagoa. Médico, alpinista, menino Eduardo, policiais, inocentes, moradores milionários e favelados se encontram e se somam às estatísticas frias, vazias e igualmente mortas.

A esquerda radical tem uma mania histórica de dividir os seres humanos em inferiores e superiores, burgueses e proletários, patrão e empregado, se esquecendo do mais puro ensinamento de qualquer religião ou bom senso ateu: somos, antes de tudo, seres humanos. A partir do momento em que temos um governo que não cuida dos seus, apenas cobra, pune e multa, este governo é ilegal, imoral e traidor. Não coincidentemente, completamos agora 13 anos de governo do PT, 13 anos de governo de uma esquerda retrógrada no poder. Vale lembrar que o governador do Rio de Janeiro, responsável pela segurança do cidadão fluminense, é o Pezão, do PMDB, que fez campanha para a aliada Dilma. O Brasil é resultado direto de anos de governo populista de esquerda. 

Enquanto Jandira Feghali (PCdoB) viaja pra Paris em poltronas largas de couro e Marcelo Freixo (PSOL) assina aumento pra estagiários ganharem salários absurdos na ALERJ, enquanto Luciana Genro (PSOL) vai fazer um tour por Cuba e Venezuela e tirar selfie com a figura de Che Guevara, do seu Iphone, enquanto Manuela d’Ávila (PCdoB) vai fazer chá de bebê em New York, ficamos sendo governados por estes psicopatas, que possuem escolta armada 24hs por dia — afirmando sem vergonha alguma que os menores são “vítimas da sociedade”, “vítimas do capitalismo” e “oprimidos”.

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Até quando, eu me pergunto, continuaremos a aturar este estado das coisas no Brasil? Até quando Catilina?, se perguntava Cícero diante do Senado romano, há milhares de anos: “Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Quam diu etiam furor iste tuus eludet? Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia?”; 

“Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?”

Ao cidadão mais atento, recomendo a visita ao Facebook oficial de Dilma Vana Rousseff, nossa presidente, para uma busca sobre a defesa aberta da manutenção da maioridade penal aos 18 anos. Num jogo sujo, à época, para ofuscar as acusações e ameaças de impeachment, os marqueteiros de Dilma focaram no tema. E agora? Eles permanecem vivos, nós ficamos no aguardo à cada esquina e dentro de casa sobre quando e como será nossa vez.

 

Um trecho maior das Catilinárias, de Cícero, para reflexão — tinha de ser lido no Congresso brasileiro, todos os dias:

“Até quando, Catilina, abusarás
da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino,
nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo,
nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?
Oh tempos, oh costumes!”