142 policiais morreram no Rio em 2016. E você com isso?

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E você com isso? Tudo. Você, eu, e a sociedade como um todo deveríamos refletir sobre este número: 142. Em apenas um ano, em apenas um estado da República. De 1994 até 2016, foram 3,2 mil policiais mortos no Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia do absurdo, em 2016, nos Estados Unidos da América, 64 policiais foram mortos*. Compara-se aqui um país com um pequeno estado.

Algo que pode soar apenas simbólico não o é. Edmund Burke, refletindo sobre a revolução francesa, disse que a sociedade acaba sendo uma espécie de contrato entre aqueles que já morreram, os que vivem e os que ainda nascerão, já que a formação de uma verdadeira sociedade demanda tempo.

E que tipo de sociedade o Brasil quer ser? Uma que simplesmente despreza, ignora, persegue e deixa matarem seus policiais? Uma sociedade onde criminosos sabem, na maioria das vezes, como 2 mais 2 são 4, que estão e estarão sempre fora do alcance da lei? E que quando alcançados, ficam na cadeia por pouquíssimo tempo? Uma sociedade que consegue achar natural 58 mil assassinatos em um ano, o de 2015. Na Síria, em guerra, em quatro anos, morreram 256 mil pessoas. No Brasil, no mesmo período, quase 279 mil. Uma sociedade onde o ‘crime perfeito’ existe em 92% dos casos, já que só 8% dos homicídios são solucionados?

Pode-se discutir a desmilitarização da polícia, se a militar e a civil deveriam ser uma só força, se há repressão policial em exagero em determinadas manifestações, não se deve proteger incondicionalmente toda a força policial pois sabe-se que há os maus elementos, como em qualquer profissão, mas creio que tal número, 142, não deveria ser ignorado por ninguém, inclusive pelos mais fervorosos militantes da esquerda.

O que chama a atenção é justamente essa capacidade assombrosa de nos acostumarmos, no Brasil, ao ”inacostumável”, por assim dizer. E isso nos faz, como sociedade, não nos preocuparmos com os que aqui estão, com os que virão e, claro, com os que já morreram.

 

*63 mortos a tiros e um morto a facadas.